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Suporte Executivo e Segurança de TI (Parte I)

O artigo a seguir foi extraído do capítulo 3 do “Segurança de TI: Arriscando a empresa”, escrito por Linda McCarthy e publicado pela Prentice Hall.

Por Linda McCarthy
Consultora de Segurança Executiva, Escritório da Direção de Tecnologia
Symantec Corporation


ID do Artigo: 3323
12 de fevereiro de 2004
Introdução
O Compromisso dos Executivos
Dia 1: acessos inseguros
Um ano depois: o acesso não autorizado continua a ocorrer
Resumo: seja dinâmico na sua abordagem
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Introdução
Há seis meses, você finalmente alcançou o posto de Diretor de Informática de uma grande empresa. Como um bom diretor, você enfatiza várias vezes a importância da segurança aos seus gerentes sêniores. Aliás, você torna claro e sem margem para dúvidas que é necessário que a rede se mantenha segura e ponto final, sem discussões.

Imagine a sua surpresa quando, em uma segunda-feira, você abre o jornal Mercury News e vê que a sua empresa se encontra nas manchetes, e o motivo não são os resultados surpreendentes do trimestre. A história conta os detalhes do ataque de um hacker à rede da sua empresa. O hacker se apropriou de informações confidenciais e as postou na Internet, para que todo mundo pudesse vê-las. É notícia de primeira página, e você se indaga se você vai aparecer na CNN hoje. Você se pergunta também o impacto que isso causará no preço das ações da sua empresa. O que os acionistas irão dizer?

À medida que as semanas passam, sua equipe de suporte tenta manter tudo sob controle. Infelizmente, há tantos riscos de segurança na sua rede que essa tarefa parece ser impossível. O hacker parece saber disso, e parece estar utilizando a sua rede para a praticar. O ataque persiste, não apenas uma ou duas vezes, mas o tempo todo.

Como isso foi acontecer? Você diz aos seus superiores que a segurança era uma grande preocupação, e que você esperava que fosse uma prioridade. Você não foi ouvido? Como puderam permitir que intrusos eletrônicos se apropriassem de segredos da empresa? E ainda pior, os contínuos ataques estão destruindo a reputação da sua empresa, uma reputação que você trabalhou tão arduamente para obter. Como Diretor de Informática, a sua reputação também não é das melhores no momento. É a sua rede, portanto, as atenções estão voltadas para você.

Parece impossível? Pouco provável? Esta situação foi inventada, mas é uma situação bastante real e com freqüência enfrentada por novos Diretores de Informática. Os aspirantes a funcionários quase nunca possuem um conhecimento abrangente das configurações e status da rede. Antes de aceitar a vaga, poucos candidatos perguntam se a rede foi submetida (e aprovada) a uma auditoria de segurança. Menos ainda recebem um resumo de nível executivo, mostrando o nível de riscos, ou possuem um bom conhecimento sobre a realidade da segurança nas empresas.

Em grandes empresas, diferentes níveis de gerência geralmente separam os gerentes dos executivos. Como resultado, a comunicação é prejudicada. As informações provenientes da diretoria, destinadas ao resto da empresa, podem não ser entregues. Da mesma forma, as informações de baixo para cima podem ser facilmente mal direcionadas ou modificadas.

É claro que nenhum executivo, gerente ou supervisor pensa realmente que a sua própria rede possa ser a manchete da próxima edição de 60 Minutes ou Hard Copy. Mas, ao menos que você saiba o que realmente está acontecendo na empresa, ela poderá estar correndo risco. Certifique-se de que os executivos de sua empresa não estejam ditando regras sem o conhecimento da realidade da empresa. Manter as linhas de comunicação abertas até o topo da empresa é a forma mais importante de garantir a segurança da sua rede. Considere...

O Compromisso dos Executivos
A Sra. Smith, Diretora Executiva e fundadora da Internet Software Design (ISD), a partir de uma idéia escrita em um guardanapo, transformou sua empresa em um sucesso, da noite para o dia. Esta empresa de tecnologia de ponta no Vale do Silício, que está na lista de empresas da Fortune 500, entrou em um novo mercado e eliminou a concorrência, sem grandes dificuldades. No mercado de design de software, a empresa tornou a segurança de computadores uma prioridade básica. A Sra. Smith continuou a enfatizar seu compromisso com a segurança à sua equipe de gerência executiva. Ela se tornou muito conhecida pelo seu estilo direto, e sempre atingiu o que desejava. Bom, quase sempre.

Como vários Diretores Executivos que dão ordens e esperam que sejam cumpridas, a Sra. Smith presumiu que a sua empresa internacional estivesse segura, até o dia em que um hacker invadiu a rede financeira de sua empresa. Sem que fosse detectado pelos funcionários de suporte, o hacker transferiu todos os dados financeiros da empresa para outro sistema na Internet. Quando a transferência foi concluída, o hacker enviou um e-mail contendo o status financeiro da Sra. Smith (incluindo as previsões de faturamento) para os investidores do Fishman & McDonald.

Por sorte da Sra. Smith e de sua empresa, um gerente dessa empresa de segurança relatou imediatamente o conteúdo do e-mail a Charles Winifred, Diretor Financeiro da empresa de Smith. Esse relatório foi a primeira indicação que Charles teve de que uma violação de segurança havia ocorrido, e o deixou com várias perguntas sem respostas. Charles gostaria de saber como o sistema tinha sido violado. Ele queria saber por quê seus funcionários de suporte não detectaram o acesso não autorizado aos dados. E queria, é claro, saber quem foi o responsável pelo roubo e divulgação das informações. Basicamente, ele queria respostas imediatamente.

Charles presumiu que sua rede financeira estivesse segura. Afinal de contas, não era para isso que eles pagavam seus administradores de sistema? Como eles puderam ser tão negligentes? E como não perceberam a violação da segurança antes que os dados fossem divulgados pela Internet?

Porém, Charles não levou em consideração um importante conceito em responsabilidade administrativa. O verdadeiro responsável pela confiabilidade e integridade dos dados armazenados em redes corporativas é a gerência, e não os administradores de sistema. Os acionistas e auditores responsabilizarão principalmente os gerentes executivos. Se a previsão de faturamento da empresa é publicada na Internet, os auditores, acionistas e a imprensa procurarão os executivos das empresas, e não os administradores de sistemas.

Para ilustrar melhor as funções do gerenciamento na segurança da computação, vamos analisar mais de perto os eventos antes e depois da divulgação das informações financeiras da ISD.

Dia 1: sistemas inseguros
A pedido de Charles, o especialista de segurança interna da ISD, Martin Patterson, foi chamado imediatamente para conduzir uma auditoria de segurança. Martin era um dos cinco membros da equipe de segurança da ISD e talvez o melhor guru de segurança da empresa. Ele sempre levou a sério qualquer nível de violação de segurança, sempre priorizando as respostas a incidentes na sua lista de tarefas. Basicamente, Martin imediatamente parava o que estivesse fazendo e atacava cada incidente de segurança com a ferocidade de um pitbull.

Martin começou sua auditoria investigando as informações dos sistemas financeiros e testando a rede à procura de vulnerabilidades de segurança. Ele levou menos de uma hora para obter os resultados, que na verdade foram bastante chocantes. Para uma empresa que dizia-se tão comprometida com a segurança, a realidade era espantosa.

Martin descobriu que os sistemas corporativos foram instalados diretamente da caixa, sem configurações de segurança. Sistemas cruciais foram incorretamente nomeados e mal protegidos, colocando toda a rede em uma zona de alto risco. De modo geral, a rede apresentava tantas brechas de segurança, que poderia ter sido o alvo de enormes ataques. E esses sistemas estavam mantendo os dados financeiros mais confidenciais da empresa!

Pelo que Martin pôde perceber, os sistemas estavam totalmente abertos, sem nenhum mecanismo de auditoria ou monitoração instalado. O acesso era bastante fácil, e as chances das tentativas serem flagradas, quase nenhuma. Qualquer um, com um pouco de conhecimento de segurança, poderia fazer o que quiser nesta rede.

Charles pediu também que Martin descobrisse de onde a mensagem de e-mail contendo a previsão de faturamento foi originada. Sendo assim, após testar os sistemas, Martin tentou rastrear a mensagem de e-mail. Ele percebeu que sua tentativa seria inútil. E foi mesmo. Ele não conseguiu chegar a lugar nenhum, em sua tentativa de localizar o hacker.

Apesar dos Diretores Financeiros não acreditarem que pode não ser possível rastrear uma mensagem de e-mail, eu me surpreendi com os resultados de Martin. É muito fácil dissimular o envio de uma mensagem, e fazer com que um e-mail pareça ser originado de outro remetente. Até minha irmã Laura, de 13 anos, consegue executar essa tarefa sem problemas.

De qualquer forma, mensagens dissimuladas não têm nenhuma utilidade para o descobrimento de um hacker. Ao encontrá-las, você poderá simplesmente classificar a criatividade do hacker na criação de nomes de domínios, e seguir adiante, nada mais. E foi isso que Martin fez.

Ele concluiu sua auditoria e resumiu suas descobertas em um relatório de gerenciamento. E então se preparou para a tarefa mais árdua: entregar o relatório à gerência. Felizmente, estamos um pouco mais avançados do que no tempo em que os mensageiros eram mortos por entregarem más notícias. Porém, flechas figurativas continuam a voar pelos ares. A entrega de um relatório de segurança de alto risco pode gerar uma fria reação ou um rebaixamento tão facilmente quanto uma palavra de encorajamento. Para a sorte de Martin, Charles era do tipo que encorajava.

Apesar de Charles apreciar o trabalho detalhado de Martin, ele ficou totalmente chocado com suas descobertas. Ele acreditava genuinamente que todos os sistemas na rede estivessem protegidos. Isso era o que todos os funcionários da gerência executiva presumiam. Porém, a auditoria mostrou como as informações podem ser alteradas, roubadas ou destruídas, sem nenhuma evidência que possa rastrear o agressor. Charles agradeceu ao Martin por revelar os fatos (desta vez, Martin foi o herói!) e mandou imediatamente que o nível de gerência mais alto corrigisse os problemas.

Um ano depois: o acesso não autorizado continua a ocorrer
No ano seguinte, houve várias outras violações com êxito na Intranet da ISD (com êxito para os hackers!). O único aspecto bom foi que Charles recebeu a notícia sobre as violações do gerente de auditoria interna da ISD e não da CNN.

Manter as violações longe da mídia é um dos objetivos principais da maioria dos Diretores Financeiros, e é muito mais difícil do que parece. Os próprios hackers atualmente fazem questão de relatar suas violações às agências de notícias. Eles sabem que o dano colateral proveniente de uma propaganda negativa é, com freqüência, pior do que o dano causado pelo ataque em si. Em outros casos, o constrangimento ao tornar o ataque público é, na verdade, o objetivo do ataque. Charles se considerou com sorte, pois pelo menos seu problema de segurança constrangedor foi mantido, relativamente, em sigilo.

Com sorte ou não, Charles continuava em uma má situação. Ele estava irritado e ainda surpreso que sua rede continuasse vulnerável. Ele não havia mandado que seus funcionários resolvessem esse problema no ano passado? Ninguém havia feito o que ele tinha mandado? A esta altura, Charles estava procurando por cabeças. E não quero dizer que ele queria aumentar o número de cabeças na sua empresa. Charles queria essas cabeças rolando.

Neste momento, Charles se encontrou com o diretor de auditoria interna e com o Diretor de Informática da empresa para discutir os riscos de segurança. Eles decidiram que era o momento de contratar um auditor de segurança independente. E foi aí que eu entrei no processo.

Quando entrei na equipe, eu já tinha informações suficientes do auditor anterior. Isso foi um bônus! Normalmente, um auditor gasta muito tempo entrevistando funcionários, analisando diagramas da rede e sondando informações para descobrir quais os sistemas que poderiam estar vulneráveis.

Eu já sabia quais os sistemas que estavam vulneráveis no ano anterior, e esses me pareceram um bom lugar para começar os testes por várias razões. Primeiro, eu utilizei essa abordagem porque me permitia compilar informações estatísticas a partir de fatos reais. Executivos adoram estatísticas. Gosto de qualquer dado que eu possa colocar em um gráfico ou planilha , pois sei que a transferência de informações para gerentes executivos neste formato é sempre bem-vinda.

A maioria dos executivos com os quais eu trabalho são muito inteligentes. Mas eles também recebem tantas informações diariamente, que necessitam e esperam informações precisas e de fácil compreensão, que atinjam seus objetivos em uma página ou menos. Para isso, o relatório de resumo executivo precisa fazer sentido em uma só olhada. Apesar disso, eu mesma já recebi relatórios de auditoria que me confundiram mais do que esclareceram. A apresentação de um relatório mal escrito ou estruturado a um executivo de alto nível gerencial é não só inútil, como também um desperdício de todo o trabalho gasto na produção da auditoria. E como a aprovação de fundos e a abordagem de riscos normalmente andam juntas, é imprescindível que os executivos de alto nível entendam os riscos e as possíveis conseqüências. Por essa razão, os relatórios da gerência executiva precisam ser curtos (de preferência uma página e nunca mais do que duas), fáceis de serem lidos e entendidos.

Seria fácil para mim transferir os resultados dessa auditoria à gerência. Eu pude visualizar o gráfico antes mesmo que eu começasse a auditoria. Eu corresponderia as vulnerabilidades do ano passado com as porcentagens encontradas este ano. Isso seria ótimo! Armazenei essas informações na minha memória e comecei minha auditoria.

Comecei lendo o relatório de auditoria contendo as descobertas de Martin de um ano atrás. Foi muito difícil para mim ler o relatório. Todos os riscos foram relatados, mas de uma maneira muito técnica e sem fluência lógica. Se a gerência recebesse um relatório como esse, certamente não saberia por onde começar. Eu levei muito mais tempo do que o planejado para conseguir as verdadeiras informações do relatório.

Após quebrar a cabeça com o relatório de Martin, eu pude ter uma idéia de onde estavam os sistemas de alto risco na rede financeira da empresa. Primeiro eu sondei esses sistemas à busca de informações.Em seguida, eu utilizei o mapa de senhas e comecei a executar o Crack nas senhas. Eu gosto de tentar descobrir as senhas logo no começo da auditoria para ver quantas eu consigo revelar logo no início. Esse mapa de senhas era bastante extenso, 520 usuários. Com certeza eu conseguiria adivinhar ao menos algumas senhas. E foi o que aconteceu. A verificação do arquivo crack.out me mostrou que 10 senhas foram reveladas logo no início. Consegui acertar todas essas. Deixando os resultados adicionais do Crack para depois, concentrei minha auditoria nos sistemas de alto risco.

O administrador do sistema me concedeu acesso a todos os sistemas. Ao executar uma auditoria, prefiro fazer o login em um sistema para testar a segurança do que entrar direto na rede. Quando comecei a fazer auditorias, adorava tentar entrar direto na rede primeiro (um teste de penetração), pois era excitante e me ajudava a aprimorar minha habilidade de violação. À medida que me tornei mais profissional em minhas auditorias, descobri que podia cobrir mais dados de uma maneira mais rápida e efetiva, se solicitasse ao proprietário do sistema que me concedesse uma conta de login. Assim, eu poderia entrar no sistema para verificar a presença de vulnerabilidades de segurança. Sendo assim, algumas vezes nem executo um teste de penetração. Primeiramente, sondo o sistema à procura de informações da Rede (só para ver o volume de informações que posso obter). Em seguida, faço o teste de senhas inválidas. Depois disso, faço o login e testo as vulnerabilidades e erros de configuração. O teste de auditoria final é um teste de penetração do exterior (somente quando necessário).

Não acredito que um teste de penetração seja sempre necessário. Por exemplo, considere um sistema que possui uma versão antiga do Sendmail. É um fato conhecido que tal sistema pode ser violado. Para que desperdiçar tempo provando que a água é molhada?

Em alguns casos, eu faço um teste de penetração em sistemas conhecidos como vulneráveis, só para provar um conceito à gerência. Em outros casos, não é necessário provar nenhum conceito. Tudo depende da extensão da auditoria, das prioridades do cliente e das expectativas da gerência.

Nesta auditoria, o teste de penetração, claramente, não era necessário. A gerência estava ciente de que a rede poderia ser violada (eu estava presente porque os hackers também sabiam disso!). O grande problema desta auditoria era saber porquê a rede ainda permanecia vulnerável. Sabendo disso, decidi desistir do teste de penetração e seguir adiante.

Prossegui verificando o sistema financeiro mais importante. Ele estava muito aberto e não tinha nenhum patch de segurança. Comecei por explorar um velho vírus de segurança. Foi fácil perceber que esses sistemas eram instalados diretamente da caixa. Estava claro que nenhuma segurança adicional havia sido configurada. Testei um segundo sistema, depois um terceiro e então um quarto. O mesmo ocorreu. Pelo que pude perceber, nada tinha sido alterado desde que a última auditoria de segurança foi executada. Aparentemente, os funcionários da linha de frente não haviam corrigido os problemas.

A pergunta de $64.000 dólares era, obviamente, por que não? É óbvio que os problemas de segurança na ISD deveriam ter sido resolvidos. A gerência também não deu ouvidos à mensagem de Charles ou decidiu não ouvir.

A resposta parece ser que, quando Charles mandou que seus funcionários “Corrigissem os problemas de segurança agora”, ele considerou o problema resolvido. Ele nunca verificou se sua ordem foi realmente executada. Por alguma razão, os problemas não foram corrigidos e Charles não obteve os resultados que desejava.

E, por falar em resultados, nesse momento percebi que continuava a executar o Crack. Tentando imaginar quantas senhas o Crack tinha conseguido revelar, verifiquei o arquivo crack.out novamente. Incrível! Mais cem senhas tinham sido reveladas. E o pior era que o Crack ainda não havia terminado! Ele ainda estava insistindo em tentar adivinhar senhas. Estava claro que os usuários nunca foram orientados sobre como selecionar senhas fortes. Estava igualmente claro que o administrador do sistema nunca verificou a presença de senhas não-apropriadas.

É muito frustrante quando os administradores de sistema não treinam seus usuários. Com muita freqüência, os sistemas são instalados e contas atribuídas aos usuários sem que estes sejam orientados sobre a importância da seleção e manutenção das senhas. É bastante comum também que os administradores de sistemas não testem as senhas. Às vezes, eles realmente não têm tempo. Porém, com muita freqüência, eles simplesmente não sabem como fazê-lo e não se sentem à vontade para perguntar.

Além disso, senhas não-apropriadas já tinham sido apontadas como um problema no relatório de auditoria do ano anterior. E, diferentemente de alguns dos outros problemas relatados, as senhas não-apropriadas poderiam ter sido corrigidas com um esforço muito pequeno. Acredito que ninguém se sentiu responsável por essa tarefa.

Foi mesmo uma pena que o relatório da auditoria do ano anterior não especificou quantas senhas não-apropriadas foram encontradas. Foi difícil de acreditar que poderia ter sido pior do que o resultado deste ano. No final da execução do Crack, 190 senhas foram reveladas em um sistema com apenas 520 usuários. Quase a metade dos usuários estava utilizando uma senha inválida. Desta forma, a utilização de senhas me parece inútil. Por que não divulgar as senhas em uma estação de rádio nacional, como um lembrete a todos os funcionários que esquecerem seus nomes ou datas de nascimento?

Como foi revelado posteriormente, as senhas inválidas foram somente uma gota no oceano do problema de segurança que a ISD enfrentava. Os problemas principais pareciam se concentrar em somente uma área: riscos de segurança induzidos pelo homem. Para chegar à raiz desses problemas, comecei a entrevistar os funcionários.

Para tentar descobrir as falhas na comunicação, comecei do nível mais alto da gerência para baixo. Neste processo, fiz algumas descobertas interessantes:

  • A equipe de gerência executiva nunca solicitou ou recebeu um relatório sobre o status de quaisquer alterações feitas para aprimorar a segurança da rede;
  • Os gerentes executivos simplesmente presumiram que os problemas de segurança seriam corrigidos, uma vez que eles solicitaram a sua correção;

  • O departamento de administração do sistema tinha menos funcionários do que o necessário e não tinham tempo para corrigir os sistemas;
  • Os administradores de sistema estavam trabalhando horas extras só para instalar novos usuários e manter os sistemas da empresa on-line. Mesmo que eles desejassem resolver os problemas, eles nunca conseguiram encontrar o tempo para fazê-lo;
  • Os administradores de sistema também não sabiam como corrigir os problemas de segurança. Eles pediram ajuda à gerência, mas não havia fundos disponíveis para esse tipo de treinamento. Portanto, a solicitação foi adiada para consideração posterior;
  • Os gerentes de linha também solicitaram a contratação de funcionários adicionais, para garantir a segurança da rede. É claro que para isso também não havia fundos. Novamente, a ação final foi adiada para consideração posterior.

Um ano depois, a contratação de novos funcionários ainda não tinha sido aprovada. Enquanto isso, os gerentes de linha adiaram o conserto dos problemas de segurança até que as novas contratações fossem aprovadas. Resultado: ninguém tomou nenhuma atitude a não ser esperar.

É incrível o volume de informações que se pode obter ao entrevistar os funcionários. A pior parte dessa história é que os gerentes de linha sabiam que seus sistemas continuavam inseguros. Porém, os gerentes superiores permaneciam sem saber de nada. Isso ocorreu porque os gerentes superiores não pediram que ninguém relatasse a resolução do problema. Os gerentes de linha sabiam que a resolução não aconteceria em breve, porém não tomaram a iniciativa de relatar o problema. Como resultado, os gerentes superiores permaneceram sem saber de nada. Eles realmente pensaram ter resolvido o problema e não se preocuparam mais com o assunto.

O que ocorreu neste caso não é totalmente raro. Como várias outras empresas, a ISD estava sendo reduzida. Portanto, solicitações de contratações eram recusadas diariamente. Os gerentes de linha talvez não soubessem ao certo porquê esse tipo de contratação era absolutamente necessária. Ou talvez era apenas uma solicitação no meio de tantas outras. Como você já deve saber, quando há rivalidade interna para a obtenção de posições limitadas, toda solicitação de contratação se torna extremamente indispensável.

É possível também que os gerentes de linha que solicitavam tais contratações tinham suas razões claras, mas essas razões se tornaram confusas depois de passar pelos quatro níveis de gerência entre o gerente que as solicitou e o executivo que autorizou a aprovação de fundos. Sem dúvidas a solicitação de fundos teria sido aprovada se o Diretor de Informática tivesse recebido diretamente uma solicitação que dissesse algo como “Esta aprovação é necessária para corrigir vulnerabilidades de segurança, porque toda a rede da empresa está correndo riscos. Até que este cargo seja preenchido, os dados poderão ser roubados, modificados e destruídos.”

Resumo: seja dinâmico na sua abordagem
Como a rede financeira de uma empresa da Fortune 500 pode ser tão vulnerável a ataques? Gerenciamento precário, falta de treinamento, comunicação insatisfatória e uma complicada estrutura de relatórios (excesso de níveis de gerência).

Apesar dos executivos da Sra. Smith especificarem a importância da segurança, eles nunca tomaram nenhuma atitude efetiva para garantir a existência dessa segurança. Mandar que seus funcionários “corrijam os problemas” não é suficiente. Os gerentes devem manter uma atitude ativa com relação à segurança. No mínimo, os gerentes devem solicitar uma prova clara, por escrito, que identifique a correção dos problemas de segurança. Nesse caso, tal relatório mostraria à gerência que os problemas de segurança não foram resolvidos, pois os fundos necessários não foram aprovados para a contratação de funcionários adicionais.

Em vários casos, a segurança depende da aprovação de fundos. A importância dos dados que você está tentando proteger normalmente determina o valor do investimento necessário para protegê-los. Com freqüência, os sistemas permanecem em risco por todo o ano, simplesmente porque ninguém pensa em fazer um orçamento de segurança, até que uma violação ocorra.

Neste caso, a Sra. Smith teve muita sorte. Os dados da empresa poderiam ter sido destruídos e os sistemas desativados por vários dias. A Sra. Smith teve sorte também que a violação não foi divulgada publicamente. Esta não é o tipo de cobertura da mídia que os Diretores Executivos desejam receber na CNN. As conseqüências de uma publicidade negativa podem ofuscar os danos causados pela violação em si.

Com freqüência recebo convites para falar a executivos sobre a segurança na Internet e Intranet. Quando o faço, quase sempre discuto o caso da ISD. Me pego repetindo sempre: “Sim, isso aconteceu de verdade. E provavelmente acontecerá novamente.” Para tentar passar essa mensagem, eu também reforço: “A ISD era uma empresa com um faturamento de um bilhão de dólares anuais. Se aconteceu com essa empresa, por que você presume que a sua rede está imune? Você conhece a situação da segurança na sua rede? Quando foi a última vez que você recebeu um relatório de segurança de nível executivo?” A essa altura, a maioria da platéia começa a suar.

Para a sua própria tranqüilidade, tente evitar esses tipos de problemas depois do fato. Pelo contrário, mantenha uma atitude dinâmica com relação à segurança.

Em Breve, na Parte II
No próximo mês, Linda McCarthy discutirá como um problema pode se tornar fora de controle, quando uma empresa cria um falso compromisso com a segurança. A ISD teve sorte — desta vez. Mas não aposte o futuro da sua empresa na sorte. Descubra o que a ISD deveria ter feito para evitar tudo isso.

Sobre a autora
Linda McCarthy é Consultora de Segurança Executiva, do Escritório da Direção de Tecnologia para a Symantec. Ela foi anteriormente vice-presidente da Engenharia de Sistemas na Recourse Technologies. Ela trabalhou também como vice-presidente e diretora de conhecimentos da NETSEC, e foi a fundadora e presidente da Network Defense e Gerente da Security R&D na Sun Microsystems. Como consultora, ela já violou milhares de redes corporativas, para demonstrar a facilidade com que intrusos podem interromper as operações de uma empresa.

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