Suporte Executivo
e Segurança de TI (Parte II)
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Introdução
No artigo Suporte Executivo
e Segurança de TI (Parte I), Linda McCarthy
descreve como a força por trás de uma
grande idéia pode encorajar uma pequena semente
a se transformar em uma indústria de um bilhão
de dólares anuais (como a Internet Software Design),
quase da noite para o dia. Porém se este florescimento
acontecer muito rápido, ela pode murchar e morrer
muito rapidamente. Pode-se perder o controle, principalmente
quando uma empresa cria um falso compromisso com a segurança.
A ISD teve sorte desta vez. Não aposte o futuro
da sua empresa na sorte. Aqui, na Parte II, McCarthy
discute o que a ISD deveria ter feito.
Toda empresa tem a sua própria cultura com relação
à segurança. Por isso, nem tudo o que
funciona para uma empresa é, necessariamente,
eficiente para outra. Cada empresa deve entender o que
deseja da segurança e, então, colocar
as idéias em prática, de cima para baixo.
A gerência não pode ser excluída.
Quando a gerência executiva não valoriza
ou assume a responsabilidade pela segurança (como
se isso fosse responsabilidade de outros), os outros
funcionários da empresa ficam com a impressão
de que a gerência da empresa realmente não
se preocupa com a segurança. Como resultado,
os funcionários da empresa perdem também,
geralmente, o interesse pela segurança. Esta
é uma mensagem perigosa a ser enviada a seus
funcionários!
Não delegue a segurança
Com muita freqüência, os gerentes parecem
comandar a empresa de seus pedestais, com pouco ou quase
nenhum contato com seus funcionários. Quando
isso acontece, a segurança é prejudicada.
Esta situação ilustra os tipos de problemas
que podem ocorrer quando os gerentes de segurança
ditam as regras a partir de seus pedestais.
As simples declarações sobre a importância
da segurança não são suficientes.
Praticamente todo mundo sabe que a segurança
de computadores é uma questão importante.
Infelizmente, muita gente pensa que é uma questão
importante para outros resolverem.
Lembrem-se de que somos todos responsáveis pela
segurança e proteção de nossos
dados. Isto inclui desde o executivo mais alto da empresa
até o técnico de nível mais baixo.
Mantenha o mínimo possível
de níveis de gerenciamento
Quando muitos níveis estão envolvidos
na segurança, as mensagens de segurança
podem ser mal interpretadas, não entendidas ou
simplesmente perdidas. Se você for um gerente
executivo e não souber quem é o gerente
responsável pela segurança na sua empresa,
examine com cuidado a sua cadeia de comando. Muitos
elos podem enfraquecer até mesmo a mais forte
das cadeias (Ilustração 1).

Se você for um elo no final da cadeia, saiba
exatamente quem deseja que você cumpra uma determinada
tarefa. Lembre-se de que “gerenciamento”
é um conceito e não o nome de uma pessoa.
Não será possível prestar contas
a um conceito, se você tiver problemas operacionais
ou de implementação.
Relatório à
gerência executiva
Recentemente, encontrei com a diretora de informática
de uma empresa de manufatura, para conversarmos sobre
segurança. Ela queria saber como identificar
se sua rede estava correndo riscos. Pedi que respondesse
às seguintes perguntas:
1. Você já recebeu alguma vez
um relatório de segurança executivo?
2. Você tem um gerente de segurança?
3. Você tem especialistas em segurança?
A resposta a todas essas perguntas foi “Não”.
A diretora de informática não estava certa
se sua empresa já havia alguma vez conduzido
uma auditoria de segurança. Ela estava considerando
se seria necessário contratar um consultor de
segurança. Sugeri que ela pedisse aos seus gerentes
de produção que conduzissem uma auditoria
de segurança e entregassem a ela um resumo executivo
de uma página, dentro de 30 dias. “Se a
sua equipe não for capaz de conduzir uma auditoria
de segurança ou entregar um resumo de segurança
executiva, você definitivamente precisa de ajuda
externa”, foi a minha resposta.
Os administradores de sistema, e qualquer outro funcionário
que possa ser responsabilizado por problemas de segurança,
deveriam fornecer resumos de segurança à
gerência executiva regularmente (Ilustração
2). O ideal seria que os relatórios encorajassem
a gerência a aprovar fundos, aumentar as contratações,
oferecer treinamento ou qualquer outro recurso necessário
para corrigir os problemas. E, na pior das hipóteses,
você teria relatórios por escrito para
salvar a sua pele.
Mesmo quando o resultado de uma auditoria de segurança
for positivo, sem maiores riscos à segurança,
a gerência ainda assim precisa receber um resumo
executivo. Como observei várias vezes, os problemas
de segurança nem sempre são aparentes
à primeira vista. Normalmente não é
óbvio quando um problema foi resolvido. Essa
é uma outra razão porque os gerentes executivos
devem solicitar, regularmente, um relatório conciso
(de uma página) de segurança para o nível
executivo.

Torne a segurança um
objetivo corporativo
Você poderá encontrar dificuldades na manutenção
da segurança, porque todos os funcionários
da empresa estão muito ocupados tentando atingir
outros objetivos. Caso tenha problemas para manter a
segurança da sua empresa, considere adicionar
a segurança aos objetivos de todos os níveis
de gerenciamento.
Forneça ou faça parte de treinamentos
conforme necessário
Para que a segurança funcione, todos precisam
saber as regras básicas. Uma vez que os funcionários
estejam familiarizados com as regras, é só
pedir que as sigam. Use e-mails para enviar lembretes
regulares sobre a importância da proteção
de informações, da manutenção
de senhas, segurança de sistemas, etc. Se você
ou seus funcionários ainda não tiverem
participado de treinamentos sobre precauções
básicas de segurança, faça isso
o quanto antes.
O ideal é que a sua empresa já tenha
pessoas que saibam o suficiente sobre segurança,
para que possam criar e executar sessões de treinamentos
básicos. Caso você não conte com
tais funcionários, consiga tempo para contratar
um treinamento externo.
Antes que você diga, “Não temos
tempo para esse tipo de coisa”, pense de forma
criativa. O treinamento não precisa ser necessariamente
cansativo ou tomar muito do seu tempo. Algumas empresas
utilizam vídeos pré-gravados para serem
exibidos durante o tempo de inatividade de seus funcionários,ou
até mesmo oferecem aulas individuais via e-mail.
Um treinamento não significa necessariamente
30 mesas enfileiradas em uma sala de aula. Escolha um
método que funcione para a sua empresa.
Certifique-se de que todos
os gerentes entendam sobre segurança
É extremamente importante que todos os funcionários
da gerência entendam os riscos associados aos
sistemas inseguros, do contrário as decisões
da gerência poderão comprometer involuntariamente
a reputação da empresa, as informações
confidenciais e os resultados financeiros. Não
estou dizendo que é necessário que você
seja um especialista em segurança, mas que deve
entender o jargão e os princípios básicos
de segurança.
Comunique-se claramente com
a gerência
Com freqüência, os administradores de sistema
preferem fazer reclamações a seus computadores
do que a seus supervisores. Outras vezes, eles percebem
que fazer reclamações a seus supervisores
é o mesmo do que reclamar a seus computadores.
Se você for um supervisor (ou outro gerente),
certifique-se de que seus funcionários tenham
fácil acesso a seu tempo e disponibilidade. Quando
problemas de segurança ocorrerem, preste atenção!
A primeira linha de defesa da sua rede é uma
comunicação saudável com os funcionários
atrás dos computadores.
Se você for um administrador de sistemas, converse
com o seu supervisor imediato e certifique-se de que
isso resolve o problema. Caso não resolva, tente
encontrar apoio em níveis mais altos da cadeia
de gerência, para obter resultados.
Lista de verificação
Use a lista abaixo para determinar se os níveis
de organização e gerenciamento da sua
empresa permitem que os problemas de segurança
sejam abordados de forma adequada. Você pode responder
“Sim” a cada uma das perguntas abaixo?
- São produzidos, regularmente, relatórios
de segurança para o nível executivo?
- Existe um canal de comunicação claro
do nível mais alto de gerência aos funcionários
da linha produção? E, o mais importante,
todos os funcionários da empresa sabem qual é
e onde está esse canal de comunicação?
- A responsabilidade da empresa é delegada ao
vice-presidente, diretor de segurança ou outro
funcionário da gerência? Quanto mais alto
for o nível de gerência do responsável
pela segurança, melhor! Certifique-se que o gerente
responsável pela segurança não
esteja sobrecarregado com outras tarefas, e que tenha
a autoridade para agir. Do contrário, ele será
somente um bode expiatório.
- A gerência demonstra seu compromisso com o programa
de segurança da empresa, apresentando-o e cumprindo-o
de forma apropriada?
- Já foi alocada e está disponível
a verba adequada para a segurança?
- Todos os administradores de sistema entendem a importância
de relatar e resolver os problemas de segurança
rapidamente?
- O programa de conscientização sobre a
segurança é fornecido como parte da orientação
padrão para novos funcionários de todos
os níveis, desde a gerência superior até
a linha de produção?
- Foram tomadas medidas para garantir que todos os funcionários
(de todos os níveis) estão conscientes
das políticas de proteção às
informações da empresa?
- A realidade da cultura da empresa (em termos da relação
entre funcionários e gerência) foi considerada
quando as políticas e procedimentos de segurança
foram desenvolvidos?
- Os funcionários sabem quem procurar para pedir
ajuda, quando ocorrer uma violação de
segurança ou quando não entenderem muito
bem suas funções?
- São conduzidas auditorias de segurança
regularmente?
Palavras finais
Se você é um gerente executivo e espera
que a sua Intranet esteja incondicionalmente segura,
poderá ter uma surpresa. As ameaças contra
empresas continuam a crescer, demandando níveis
de segurança cada vez mais altos em Intranets.
No início dos anos 90, entramos em uma nova
era na segurança de computadores. Há poucos
anos, várias empresas se expunham (com pouca
ou quase nenhuma proteção), pois os riscos
eram poucos e as conseqüências menos devastadoras.
Essa situação já não existe
mais. Hoje em dia, a ameaça a dados na Intranet
é mais alta do que nunca. Se a sua Intranet já
estiver correndo riscos resultantes de instalações
instantâneas, orçamentos inadequados para
segurança ou comunicação corporativa
não satisfatória, é preciso que
você aja agora mesmo.
Como este caso mostra claramente, uma comunicação
pobre pode ser, sozinha, um grande risco à segurança
de uma empresa. A maioria das violações
reais de segurança neste estudo de casos foi
bastante básica: senhas simples, instalações
instantâneas, etc. Nesta fase da revolução
da informática, nenhuma rede respeitada deve
sofrer de sintomas tão simples, especialmente
quando a maioria deles pode ser corrigida facilmente
com uma comunicação mais aprimorada.
Diferente de um assalto à mão armada,
crimes de computadores nem sempre aparentam ser tão
sérios como na verdade são. Normalmente
ocultados pelas vítimas para evitar maiores danos
(ao valor de suas ações, reputação,
etc.), os crimes de computadores vêm crescendo
em uma proporção fenomenal. No National
Infrastructure Protection Center, uma seção
do FBI que trabalha com departamentos do governo e empresas
privadas, o número de casos de crimes cibernéticos
ativos tem dobrado todo ano desde 1998. O custo cumulativo
desses casos também aumenta proporcionalmente.
Uma pesquisa realizada pela Information Week e pela
Price Waterhouse Coopers, em meados do ano 2000, estimou
um custo de $1.6 trilhões de dólares de
danos causados por vírus de computadores para
aquele ano. Como Leslie Wiser do FBI observou em sua
palestra ao Congresso sobre segurança cibernética
em agosto de 2001: “Essa quantia é maior
do que o produto interno bruto da maioria das nações
do mundo.”
O diretor de informática de qualquer empresa
deve se manter sempre à frente de sérios
riscos de segurança da rede corporativa, inclusive
de violações bem-sucedidas. Tenho certeza
de que o seu diretor de informática prefere receber
a notícia sobre violações da gerência
de produção do que da CNN Headline News.
Se você não possui um canal de comunicação
claro até o nível mais alto, crie um.
Sobre a autora
Linda McCarthy é Consultora de Segurança
Executiva, do Escritório da Direção
de Tecnologia para a Symantec. Ela foi anteriormente
vice-presidente da Engenharia de Sistemas na Recourse
Technologies. Ela trabalhou também como vice-presidente
e diretora de conhecimentos da NETSEC, e foi a fundadora
e presidente da Network Defense e Gerente da Security
R&D na Sun Microsystems. Como consultora, ela já
violou milhares de redes corporativas, para demonstrar
a facilidade com que intrusos podem interromper as operações
de uma empresa.
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