Criação
de uma política eficaz de privacidade
on-line
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Introdução
Qual é a importância da privacidade
on-line nos dias de hoje? De acordo com um estudo recente
da PricewaterhouseCoopers e Privacy & American
Business, 96% dos compradores na Internet entrevistados
acreditam ser importante que websites comerciais publiquem
suas políticas de privacidade indicando de que
forma as informações inseridas são
utilizadas. No caso de empresas que conduzem negócios
na Web, essa mensagem é clara. Ela também
ajuda a explicar por que diversos grupos industriais
que buscam evitar a regulamentação governamental
aumentaram seus esforços para convencer as empresas
a serem voluntárias no desenvolvimento de políticas
de privacidade na Web.
Um ambiente em transformação
Segundo o Better
Business Bureau, uma política
de privacidade eficiente “proporciona aos usuários
a total compreensão sobre como as informações
fornecidas em um website são coletadas e de
que forma elas são utilizadas (ou não)”.
Esse procedimento é muito importante atualmente
face às regulamentações agora
existentes. Analisemos alguns dos eventos mais recentes
nessa área:
- O Graham-Leach-Bliley Act de 1999 exige que
organizações de serviços financeiros
criem políticas de privacidade, as quais devem
compartilhar com os clientes. Essa lei determina também
o modo como as informações podem ser
compartilhadas internamente e entre instituições.
- Em julho de 2003 foi aprovada a lei 1386 do senado da Califórnia, também conhecida
como Security Breach Information Act (Ato de Informação
sobre Violação da Segurança).
Essa lei se aplica a empresas que conduzem negócios
na Califórnia ou que têm clientes naquele
estado. Ela estipula que uma empresa deve notificar
imediatamente seus clientes caso suas informações
pessoais sejam ameaçadas. A lei apresenta implicações
profundas para empresas em quase todos os setores.
Entre outras coisas, ela determina que as empresas
que não tenham protegido adequadamente as informações,
nem informado aos clientes sobre intrusões,
podem ser processadas na justiça e penalizadas.
- De acordo com o Data Protection Directive (Diretriz de Proteção de Dados) da União
Européia, qualquer empresa que conduza negócios
na União Européia está proibida
de transmitir dados pessoais a outros países
(como os Estados Unidos) que não ofereçam
uma proteção similar aos dados pessoais.
No Canadá, o Canadian Personal Information
Protection and Electronic Documents Act (PIPEDA – “Ato
Canadense de Proteção às Informações
Pessoais e Documentos Eletrônicos), em vigor
desde 1º de janeiro de 2004, representa uma revolução
nas leis de privacidade canadenses. Ele confere ao
indivíduo amplos direitos de controle sobre
a coleta, uso e publicação de suas informações
pessoais por organizações em atividades
comerciais.
A lei de quebra de sigilo da Califórnia (California
Breach Law) foi aprovada em um momento em que aumentam
os incidentes de roubo de identidade (a definição
de “roubo de identidade” inclui aqui fraude
de cartão de crédito, além do
roubo dos documentos reais de uma pessoa). Em setembro
de 2003, o FTC (Federal Trade Commission, Comissão
Federal de Comércio) anunciou que mais de 27
milhões de pessoas foram vítimas de roubo
de identidade nos últimos cinco anos, o que
custou a elas US$5 bilhões, e quase US$48 bilhões às
empresas e instituições financeiras.
O FTC declarou que, só no ano passado, 9,9 milhões
de pessoas sofreram roubo de identidade, principalmente
mediante fraude de cartões de crédito.
De fato, segundo o FTC, o roubo de identidade é o
crime de mais rápido crescimento nos Estados
Unidos.
Criando uma política
Tais acontecimentos tornam ainda mais urgente os esforços
de grupos industriais – que incluem o Online
Privacy Alliance, TRUSTe Inc. e o BBBOnLine (divisão
on-line do Better Business Bureau) – para fomentar
iniciativas de auto regulamentação que
proteja a privacidade do indivíduo em atividades
on-line e de comércio eletrônico. A boa
notícia é que esses grupos oferecem informações
suficientes para aqueles com intenções
de criar uma política de privacidade on-line
séria.
Por exemplo, o BBBOnLine divide o processo nas três
etapas descritas a seguir:
Etapa 1: Analise o seu website. Antes de criar uma
política de privacidade, é necessário
conduzir uma análise extensa de seu website
e suas práticas atuais de coleta de dados. O
BBBOnLine recomenda que você responda às
seguintes perguntas:
- Você coleta dados pessoais?
- Que tipo de dados pessoais coleta?
- Os indivíduos são notificados de que
seus dados pessoais estão sendo coletados?
- Por que você coleta dados pessoais?
- Como esses dados são utilizados?
- Quem controla os dados pessoais após serem coletados?
- Os dados pessoais são distribuídos para
terceiros? Por quê?
- Como e onde são armazenados esses dados?
- Como são protegidos? Como são protegidos
durante sua transferência?
- Você possui padrões, diretrizes e regulamentações
relacionados à coleta e ao uso dos dados pessoais?
- Você permite que visitantes acessem seus próprios
dados pessoais?
- O que acontece se um visitante tem uma dúvida
sobre os dados que você mantém?
- O que acontece caso ele não fique satisfeito
com a sua resposta às suas dúvidas?
Etapa 2: Compreenda a legislação atual
sobre privacidade. É essencial que você analise
todas as leis atuais sobre privacidade que afetam os
seus negócios. Conforme observado pela organização
de pesquisa Gartner Inc.:
“Iniciativas de legislação
e regulamentação — incluindo
o “Public Company Accounting Reform and Investor
Protection Act” de 2002 (conhecido como Sarbanes-Oxley)
dos Estados Unidos, o “Graham-Leach-Bliley Financial
Services Modernization Act” (Estados Unidos),
o “Healthcare Information Portability and Accountability
Act” e o “Data Privacy Directive” europeu — devem
ser melhor executadas em áreas de definição
e relatório de processos de segurança
e privacidade. Elas podem acarretar danos financeiros
e legais para as empresas que não atendam aos
padrões que estabelecem. Essas mudanças
nos ambientes de negócios, de regulamentação
e de TI criaram a necessidade de um planejamento contínuo
dos negócios, que abranja a empresa como um
todo, o que inclui a revisão das práticas
e processos de TI.”
(“Client Issues
for Security and Privacy”, setembro de 2003)
Além disso, é necessário que
você compreenda os mecanismos de responsabilização
disponíveis. Assim como a BBBOnLine, outras
empresas, como a TRUSTe e CPA WebTrust, têm desenvolvido “programas
com selo” para indicar que um website atende às
diretrizes e práticas recomendadas. Por fim,
analise os cinco “princípios básicos” do
governo federal norte-americano quanto à proteção
de privacidade visitando o website do FTC (Federal
Trade Commission).
Etapa 3: Crie uma política de privacidade.
Há diversas ferramentas baseadas na Web que
podem ajudá-lo a desenvolver sua política,
como o Privacy
Policy Generator da Direct Marketing Association
(Associação de Marketing Direto) e o Privacy
Statement Generator da Organization for Economic
Cooperation and Development (Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Olhando adiante
Como já é do conhecimento de todo profissional
de TI, as ameaças aos dados on-line dos clientes
só têm crescido, tanto em número
quanto em complexidade. Por exemplo, os ataques do
tipo “phishing” – em que consumidores
divulgam seus números de cartão de crédito
e outras informações pessoais em websites
fictícios que parecem ser reais – têm
se tornado cada vez mais comuns. Recentemente, o comentarista
de tecnologia Dan Gillmor observou que, embora as empresas
não possam impedir a criação desses
sites enganosos, elas podem melhor informar aos clientes
sobre como não serem vítimas de tais
golpes.
Para esse fim, a Gartner recomenda que as empresas
criem a seguinte lista de tarefas:
- Comunicar sua política de privacidade aos clientes;
- Solicitar e registrar as preferências relacionadas
ao consentimento dos clientes;
- Permitir que os clientes gerenciem e atualizem suas
preferências de consentimento;
- Comunicar as preferências de consentimento do
cliente a todos os “pontos de contato” com
os clientes potenciais;
- Definir processos internos para a implementação
da sua política de privacidade em todas as áreas
da empresa;
- Usar esses processos para garantir a adoção
pelos funcionários;
- Monitorar e auditorar a adoção das política
de privacidade;
- Monitorar e auditorar as práticas abusivas previstas
nas diretrizes de sua política de segurança.
Conclusão
Atualmente, as empresas devem estar totalmente atentas
sobre o modo com que lidam com informações
pessoais de seus clientes. Do contrário, as
conseqüências podem ser prejudiciais:
perda de clientes e reputação, e a
possibilidade de processos judiciais. A Gartner prevê que,
em 2005, “ao menos uma grande empresa norte-americana
irá enfrentar grandes problemas com clientes
devido ao gerenciamento ineficaz de informações
confidenciais, e a revolta pública irá motivar
o Congresso norte-americano a aprovar leis de privacidade
rígidas” (“Checklist for Enterprise
Privacy Management,” julho de 2003). Ao dedicar
seu tempo para desenvolver – e revisar constantemente – uma
política de privacidade on-line, você poderá manter-se à frente
das regulamentações e elevar ainda
mais seu conceito junto aos seus clientes.
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