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Questionando a sua postura de conformidade regulamentar? Existe uma resposta “padrão”

Bruce Moulton

Symantec Corporation

ID do Artigo: 3857
18 de maio de 2004
Introdução
Verificando a paisagem regulamentar
Análise das infra-estruturas
Conclusão
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Introdução
Durante os últimos anos, a indústria de serviços financeiros tem sido o principal foco de atenção de corpos regulamentares tanto domésticos como internacionais. O resultado foi um drástico aumento na demanda dos clientes por privacidade, segurança, integridade e proteção de dados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a diretoria e o gerenciamento executivo de empresas são agora legalmente responsáveis pelos controles internos que protegem seus principais processos e sistemas. Na Europa, a proteção e privacidade dos dados pessoais de clientes também são cada vez mais o alvo de regulamentações.

Este artigo examina vários requisitos regulamentares enfrentados pela indústria de serviços financeiros atual, e sugere que a criação de um programa de segurança de informações, baseado em padrões aceitos globalmente, criará uma postura de conformidade regulamentar, valorizando os negócios.

Verificando a paisagem regulamentar
Para evitar um declínio na confiança dos clientes na indústria de serviços financeiros, os reguladores em todo o mundo vêm decretando leis que designam responsabilidade corporativa para a segurança de dados financeiros e pessoais dos clientes. Entre as regulamentações mais divulgadas, estão o Sarbanes-Oxley Act, o California Senate Bill 1386, o Gramm-Leach-Bliley Act, o EU Data Protection Directive e o Basel II Accord.

Antes da aprovação de regulamentações, um conjunto das melhores práticas para a segurança das empresas e seus dados foi desenvolvido. Esses padrões podem formar a fundação de um programa de segurança abrangente que garanta que as empresas provedoras de serviços financeiros adotem uma visão holística das regulamentações e demandas de segurança. O número de regulamentações pode ser vasto, mas quando analisados através das lentes de um programa de segurança coerente, os mandatos de segurança podem ser atendidos e outras questões comerciais ainda mais importantes, como o gerenciamento de riscos operacionais e aumento da satisfação dos clientes, podem ser abordadas.

Analisemos mais de perto essas regulamentações e os controles de segurança que elas realmente demandam.

  • Sarbanes-Oxley Act. Criado após os fiascos contábeis da Enron e WorldCom, o Sarbanes-Oxley é certamente a legislação mais abrangente que afeta as empresas de comércio público dos Estados Unidos desde o Securities Exchange Act de 1934. Para restaurar a confiança dos investidores nos relatórios financeiros de empresas públicas, o Sarbanes-Oxley responsabiliza pessoalmente os funcionários de uma empresa pelo fornecimento de informações financeiras públicas precisas aos investidores. Os “controles internos” são destacados como a fundação da integridade e precisão das informações e, cada vez mais, os controles de segurança são vistos como a parte central de qualquer sistema eficiente de controle interno. Se os sistemas que mantêm dados financeiros não se mostram seguros, observam os especialistas legais, os executivos estarão então sob pressão para garantir a validade dos dados e a integridade de seus controles internos. Conforme observado pela Gartner Inc., “Sem funções de controle de segurança adequadas, um executivo não pode confiar de forma realista na precisão das declarações financeiras”. Apesar dessa lei e das diretrizes regulamentares que a suportam não serem muito específicas sobre os controles necessários para a conformidade, todos os profissionais de segurança sabem que um programa equilibrado para a proteção das informações (que abrange informações financeiras relevantes) é necessário para atingir uma integridade confiável das informações.
  • California Senate Bill 1386. Também conhecido como o Security Breach Information Act (Lei das Violações da Segurança de Informações), esta lei foi efetivada no dia 1º de julho de 2003. Ela determina que as empresas com negócios no estado da Califórnia, ou que possuem clientes nesse estado, notifiquem seus clientes sempre que qualquer informação pessoal dos mesmos for exposta a terceiros de forma não criptografada. Além de estabelecer a criptografia (de intensidade não especificada) como um “porto seguro” contra o requisito de notificação, esta lei não especifica nenhum outro controle exigido para a conformidade. A lei busca, de forma clara, motivar as empresas a aprimorar o sigilo das informações pessoais especificadas. Qualquer empresa que deseje evitar a inconveniência das notificações implementará a criptografia de forma abrangente. E como a criptografia sozinha não pode ser responsável pela proteção, as empresas devem criar um programa equilibrado de proteção às informações (abrangendo as informações pessoais específicas), para obter o sigilo necessário das informações confiáveis.
  • Gramm-Leach-Bliley Act. O GLBA determina a privacidade e proteção dos registros de clientes mantidos por instituições financeiras. Especificamente, a Seção 501 (b) determina que as empresas provedoras de serviços financeiros estabeleçam “garantias físicas, técnicas e administrativas”. Enquanto alguns dos detalhes mais específicos variam de um corpo regulamentar para outro, a maioria dos reguladores adotou os Interagency Guidelines Establishing Standards (padrões de estabelecimento das diretrizes entre agências) para a proteção das informações dos clientes. Essas diretrizes entre agências não deixa nenhuma dúvida quanto à necessidade de um programa equilibrado e abrangente de proteção às informações (que proteja as informações financeiras pessoais específicas), para a obtenção da privacidade confiável das informações. As diretrizes apresentam uma infra-estrutura fechada, geral e abrangente para tal programa, sendo que cada instituição financeira deve definir os detalhes da implementação, apropriados para as suas circunstâncias.
  • Diretiva de Proteção de Dados da União Européia. A Diretiva exige que cada país membro da União Européia aprove a legislação que exige controles de sigilo e integridade para redes, sistemas e dados que contêm informações pessoais. Enquanto a maioria da regulamentação nos Estados Unidos aborda somente a relação entre uma empresa e seus clientes externos, a Diretiva de Proteção de Dados da União Européia inclui explicitamente as informações pessoais de funcionários junto às informações de clientes. Especificamente, todas as informações pessoais coletadas devem ser protegidas contra destruição acidental ou ilegal, perda, alterações e divulgação ou acesso não autorizado. Todos os países membros da União Européia adotaram esta diretiva e aprovaram a legislação necessária. Nenhum controle ou pequeno grupo de controles pode fornecer a proteção necessária para essas leis. Ao contrário, um programa de proteção às informações amplo e equilibrado (abrangendo as informações pessoais específicas) é necessário para a obtenção da proteção segura das informações.
  • Basel II Accord. O Bank for International Settlements, uma organização internacional criada para regulamentar bancos ativos internacionais, lançou o Basel Accord II, que fornece diretrizes para o cálculo de riscos (de crédito, do mercado e operacionais) de um banco. Apesar de não haver discussão direta sobre um componente de segurança das informações, o cálculo de riscos requer a identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos que uma organização está enfrentando. Ao lidar com riscos operacionais, é impossível ignorar os riscos introduzidos pelas ameaças de segurança e a possibilidade de falhas no ambiente dos controles de segurança. Quanto mais eficientes forem os esforços de um banco para o gerenciamento de riscos, menos recursos serão necessários reservar para emergências. Portanto, há uma conexão direta e potencialmente benéfica entre a efetividade dos controles de segurança e os limites do banco. Porém, para obter controles de segurança que forneçam esse benefício, é necessário implementar com sucesso um programa de proteção das informações equilibrado e abrangente.

Análise das infra-estruturas
Como vimos, o padrão é simples. Apesar de cada uma das principais estruturas financeiras regulamentares discutidas acima possuir aspectos exclusivos (como o escopo das informações que procura proteger), cada uma necessita da implementação de um programa de segurança das informações com todos os elementos básicos equilibrados para atender às necessidades individuais de cada uma. E como toda instituição será regulamentada por mais de uma legislação, faz sentido a adoção de uma abordagem consistente comum à conformidade. Como nenhuma lei fornece uma infra-estrutura de programas completa (apesar do GLBA ser a mais completa), as instituições devem procurar outras fontes para a obtenção de infra-estruturas de programas.

  • ISO 17799 e BS 7799. Este é conhecido amplamente como o padrão mais usado para as políticas de segurança de informações. Apesar da conformidade com o ISO 17799 não ser obrigatória, ela fornece uma fundação forte para um programa de segurança de informações. O padrão aborda as seguintes 10 áreas: Política de segurança, Controle do acesso de sistemas, Gerenciamento de operações e computadores, Desenvolvimento e manutenção de sistemas, Segurança física e de ambientes, Conformidade, Segurança pessoal, Organização da segurança, Controle e classificação das informações e Gerenciamento da continuidade dos negócios.
  • Diretrizes OECD para a Segurança dos Sistemas e Redes de Informações. A Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica (Organization for Economic Cooperation and Development) publicou um documento que especifica as diretrizes para a segurança dos sistemas e redes de informações. Semelhante ao ISO 17799, a conformidade com essas diretrizes não é obrigatória, porém elas fornecem uma fundação forte para um programa de segurança de informações. Essas diretrizes abordam os seguintes princípios: Conhecimento, Responsabilidade, Respostas, Ética, Democracia, Avaliação de riscos, Criação e implementação da segurança, Gerenciamento de segurança e Reavaliação.
  • Outras infra-estruturas. Outras reconhecidas infra-estruturas de programas de segurança de informações incluem CobiT, o Padrão ISF de Boa Prática (ISF Standard of Good Practice) e a Biblioteca de Infra-estruturas de TI (IT Infrastructure Library ou ITIL).

Conclusão
A criação de um programa de segurança das informações corporativas em uma instituição, baseado em uma infra-estrutura padrão, deve permitir soluções comuns em várias áreas regulamentares, deve ser mais eficiente e deve ajudar a conquistar credibilidade do programa com vários auditores ou inspetores que possam avaliá-lo.

Se os requisitos regulamentares e infra-estruturas de segurança forem aderidos de forma apropriada, eles poderão fornecer grande vantagem competitiva a instituições financeiras, ajudando-as a aumentar a confiança dos clientes e a reputação de suas marcas.

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