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Ataques Desconhecidos Requerem Sistemas Avançados de Aviso

Por Linda McCarthy
Consultora de Segurança Executiva, Escritório da Direção de Tecnologia

ID do Artigo: 3899
8 de junho de 2004
Introdução
Detecção de intrusões baseada em assinaturas
Anomalias de protocolo
Reforçando as defesas
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Sua rede está sob ataque. Um novo worm está se infiltrando em sua empresa. Seu sistema de detecção de intrusões não o avisou da ameaça porque o ataque não era conhecido publicamente ou porque foi refletido na forma de assinatura; passou facilmente por suas defesas. Antes que você pudesse fazer qualquer coisa para proteger sua empresa, o worm se infiltrou na empresa, duplicando-se através de contas compartilhadas na rede e atacando suas redes parceiras. Seus administradores do sistema nunca esperavam que isso fosse acontecer!

Todos os dias, empresas se encontram em tais situações. Worms e outros tipos de ataques destrutivos têm se tornado mais sofisticados e detectá-los significa construir defesas mais fortes. Empresas que enfrentam ameaças combinadas como Bugbear, Blaster, Welchia, e SoBig precisam saber da aproximação dessas ameaças e quando estão sob ataque. Uma ameaça combinada conjuga vírus, worms, ataques de negação de serviços e, algumas vezes, furto de dados confidenciais. Com tantas frentes de ataque, o que talvez seja de igual importância é o fato de as empresas garantirem que a difusão destes ataques, através de suas conexões de rede, também não cause dano aos seus parceiros e clientes.

No período entre o lançamento de um novo ataque e o reconhecimento dele pela comunidade de segurança (e desenvolvimento de medidas corretivas), um intruso pode se valer desta oportunidade para penetrar as defesas existentes. As ameaças, nesse estágio de seu ciclo de vida, são chamadas de ameaças de dia zero. Estas ameaças ainda não são refletidas na detecção de assinaturas e podem contornar as defesas existentes. Ataques de dia zero são um bem precioso para hackers porque exploram uma vulnerabilidade que ainda não foi revelada ao público e para a qual o fornecedor ainda não publicou uma correção ou solução alternativa. É por isso que a detecção destes ataques, o mais cedo possível, pode ajudar a bloquear essa oportunidade para os adversários (veja ilustração).

Detecção de intrusões baseada em assinaturas
A maioria dos sistemas de detecção de intrusões é baseada em assinaturas e não consegue detectar ataques de dia zero. Eles somente conseguem detectar ataques para os quais são programados para reconhecer, ou seja, para os quais eles já têm assinaturas. Esse é um dos grandes problemas de softwares de detecção de intrusões – sua rede pode estar sob ataque, mas talvez seja necessário esperar dias até que uma nova assinatura seja publicada para detectar o ataque.

Frente a ameaças de ataques de dia zero, empresas não podem esperar pelo desenvolvimento e instalação de assinaturas. As ameaças atuais se propagam rapidamente e a chance de corrigir vulnerabilidades de segurança está diminuindo. O Blaster provou isso. Apenas 26 dias após a publicação de uma correção, o Blaster infectou usuários corporativos e domésticos. Como a combinação de sistemas baseados em protocolos e assinaturas é a ideal, certifique-se de que seu fornecedor pode implementar assinaturas quando uma vulnerabilidade for identificada.

Garantir que o sistema esteja atualizado também pode ajudá-lo a evitar o furto de dados confidenciais. O roubo de dados confidenciais pela porta dos fundos continua a crescer. O Relatório de Ameaças à Segurança da Internet da Symantec mostrou que o roubo de dados confidenciais cresceu 400% na primeira metade de 2003. O Bugbear foi um dos melhores exemplos de roubo de dados confidenciais em 2003. Uma vez infectado o sistema, os dados confidenciais como teclas digitadas, nomes de usuários, processos e outras informações críticas do sistema eram extraídos.

Muitos executivos não estão cientes de que suas defesas não conseguem detectar estes ataques. Muitos deles depositam sua confiança em sistemas de detecção de intrusões que não são inteligentes o bastante para detectar ameaças desconhecidas como o Bugbear, Blaster, Sobig, e outras. Bancos de dados de assinaturas devem ser atualizados constantemente; as empresas que dependem somente da tecnologia baseada em assinatura são deixadas completamente vulneráveis a ataques de dia zero. Não estar preparado para isso representa um custo muito alto. Por exemplo, o Blaster, Welchia.A, e Sobig.F causaram sozinhos danos de mais de 2 bilhões de dólares.

A Symantec viu o Blaster chegar em seu ponto máximo, infectando 2.500 hosts por hora. Então, apareceu o Welchia.A, que explorava a mesma vulnerabilidade do Blaster, e foi criado para limpar e corrigir computadores infectados pelo Blaster. Apesar do Welchia ter tentado limpar computadores infectados através da remoção do worm Blaster, ele, ao invés disso, poderia ter causado grandes danos.

As assinaturas são muito específicas a um ataque; depois que uma determinada assinatura é adicionada ao banco de dados de detecção, até mesmo uma pequena modificação ao ataque detectado pode ativar a nova versão para que ela consiga passar pelo sistema de detecção de intrusões. Essa conhecida estratégia permite que os adversários subvertam sistemas de detecção de intrusão baseados em assinaturas.

Anomalias de protocolo
A detecção de anomalias de protocolo é realizada no protocolo do aplicativo. Ela se concentra na estrutura e conteúdo das comunicações. Muitos ataques têm como alvo protocolos como o Telnet, HTTP, RPC e SMTP. Certos erros de programação (como o estouro de buffer) são usados por agressores para comprometer ou causar dano a um sistema. Estes ataques exploram práticas ruins de programação e são bastante comuns.

Quando as regras de protocolo são modeladas diretamente nos sensores, é mais fácil identificar o tráfego que viola as regras, como dados não esperados e caracteres extras e inválidos. É exatamente dessa maneira que esses ataques podem ser identificados. O Bugbear, por exemplo, foi detectado pela detecção de anomalias de protocolo ManHunt (PAD) porque sua comunicação de porta dos fundos usa a porta SOCKS (1080). Ao usar essa porta, ele não está em conformidade com o protocolo SOCKS (RFC 1928). O BugBear violou as especificações do protocolo SOCKS porque valores inválidos para a negociação de autenticação foram usados, e o PAD ativou um evento (Número Desconhecido da Versão do Servidor SOCKS) indicando a violação do protocolo e, assim, alertando os administradores do sistema sobre o ataque. Enquanto ataques desconhecidos que violam protocolos conseguem passar pelos sistemas baseados em assinaturas, estes ataques podem, freqüentemente, ser detectados pelo protocolo IDS e informados aos administradores do sistema, dando a eles horas – às vezes dias – para responder à nova ameaça antes do ataque ser identificado e do desenvolvimento e distribuição de uma nova assinatura.

Reforçando as defesas
Os sistemas de detecção de intrusões não identificarão todos os ataques, independente do tipo de sistema que a empresa tenha implementado. Se apenas assinaturas IDS forem implementadas por toda a rede, elas não identificarão os ataques desconhecidos e de dia zero. Uma vez que as anomalias de protocolo conseguem detectar vários ataques desconhecidos, como o Blaster, as empresas devem, pelo menos, estar aptas a reforçar suas defesas nos gates de sua rede: na conexão com a Internet, conexões VPN, conexões de rede de clientes, etc. Assim, elas podem levantar a primeira linha de defesa nos pontos de entrada, de modo que estes ataques possam ser detectados o mais cedo possível.

“Tentar detectar estes tipos de ataques na porta de entrada não é o suficiente,” disse Mike Allison, Diretor da Global IT em palmOne. “Nossa detecção de anomalias de protocolo ManHunt detectou ataques desconhecidos como o Bugbear e o Blaster na entrada de pontos da Internet. Nossa equipe de respostas controla os lugares certos para proteger nossa rede contra outros ataques da Internet. Infelizmente, com algumas destas ameaças, eventos começaram a ser relatados a partir dos registros IDS agregados, provenientes das redes de nossos próprios parceiros. Não é o suficiente reconhecer e proteger nossa própria rede; nossos parceiros precisam reforçar suas defesas também.”

Dan Langin, advogado e especialista em Direito de Propriedade Intelectual, afirma: “Administradores e diretores têm a obrigação fiduciária de proteger o patrimônio da empresa contra perdas e danos. Os sistemas de detecção de intrusões são um modo muito importante de cumprir esses deveres de proteção do patrimônio intelectual, bem como câmeras de segurança são um modo muito importante de proteção do patrimônio corporal.”

Detectar ataques rapidamente requer sistemas avançados de aviso. A maioria das empresas precisa melhorar seus recursos de detecção, de modo a proteger seus dados, seus clientes e as redes de seus parceiros. Não espere até que sua rede se torne uma fonte de ataques contra outros. Reforce suas defesas. Proteger sistemas contra ameaças desconhecidas e de dia zero requer sistemas avançados de alerta e aviso. Não seja surpreendido com suas defesas baixas quando aquele ataque de dia zero atingir sua empresa. Esteja preparado para detectar, proteger e responder.

Sobre a autora
Linda McCarthy é Consultora de Segurança Executiva, do Escritório da Direção de Tecnologia para a Symantec. Ela foi anteriormente vice-presidente da Engenharia de Sistemas na Recourse Technologies. Ela trabalhou também como vice-presidente e diretora de conhecimentos da NETSEC, e foi a fundadora e presidente da Network Defense e Gerente da Security R&D na Sun Microsystems. Como consultora, ela já violou milhares de redes corporativas, para demonstrar a facilidade com que intrusos podem interromper as operações de uma empresa. McCarthy é a autora de IT Security: Risking the Corporation, publicado por Prentice Hall.

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