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Hora de melhorar a sua infra-estrutura de confiança?

Por Bruce Moulton

ID do Artigo: 4114
15 de junho de 2004
Introdução
A natureza dos ataques
Os ataques se tornam mais sofisticados
Desafios e tendências das soluções atuais
O problema fundamental
Conclusão: não há uma solução mágica
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O Relatório de Ameaças à Segurança da Internet da Symantec fornece uma visão clara do mundo on-line, onde as instituições financeiras realizam seus negócios. Este artigo analisa algumas das questões que devem ser abordadas, se desejarmos desenvolver uma infra-estrutura eletrônica segura e confiável.

Na análise das tendências dos ataques de 2003, a edição mais recente do Relatório de Ameaças à Segurança da Internet da Symantec confirmou o que nós, profissionais da segurança de informações, já sabíamos há muito tempo: que de uma forma geral, o setor de serviços financeiros é um dos mais afetados por eventos graves. “Os agressores e ameaças combinadas atacaram cada vez mais as portas dos fundos deixadas por outros agressores e por worms", observou o Relatório. Essas portas de fundo provavelmente serão alvos de ataques, como uma forma de construir redes de hosts comprometidos, de onde os ataques poderão ser lançados.

Usando o Relatório de Ameaças como ponto de partida, gostaria de falar um pouco sobre as formas como as ameaças cibernéticas contra os setores de serviços financeiros evoluem e, em seguida, passar para algumas das questões que devemos abordar, se desejarmos desenvolver uma infra-estrutura eletrônica mais confiável e segura.

A natureza dos ataques
As ameaças combinadas continuaram a representar um problema de segurança significativo para as instituições financeiras em 2003, de acordo com o Relatório de Ameaças. Essas espertas ameaças encontram várias maneiras de se propagar e continuam a evoluir para ataques cada vez mais bem-sucedidos. O Blaster, Welchia e Sobig são exemplos desse tipo de ameaça. No verão passado, em um determinado momento, tivemos que lidar com quatro ameaças de alto impacto em um período de oito dias.

Outra característica desses worms é que cada vez eles vêm atacando vulnerabilidades nos principais componentes do Windows. Esses componentes são mais abrangentes do que o software do servidor atacado anteriormente por worms baseados na rede, resultando em um volume muito maior de sistemas vulneráveis.

Esses worms se beneficiam da redução do tempo entre o surgimento da vulnerabilidade e a divulgação de um código de exploração. Pense nisto: o worm Slammer de janeiro de 2003 atacou uma vulnerabilidade que foi descoberta seis meses antes, enquanto o worm Blaster explorou uma vulnerabilidade encontrada apenas 26 dias antes. Mais recentemente, o worm Sasser, que começou a se propagar no dia 1º de maio, explorou uma brecha em um componente do sistema operacional Windows, para o qual a Microsoft lançou um patch em 13 de abril. Houve também o worm chamado de Witty, que foi lançado apenas 36 horas após a divulgação da vulnerabilidade. Nossa “janela de ameaças a vulnerabilidades” continua a ser reduzida.

Os ataques se tornam mais sofisticados
Como todos sabem, uma das ameaças mais perturbadoras que enfrentamos hoje em dia envolvem diferentes formas de “phishing”, normalmente definidas como uma tentativa de roubar informações sensíveis, através de esforços de engenharia social. Qual a dimensão desse problema?

De acordo com a empresa de pesquisas Gartner Inc., o número dessas ameaças aumentou muito no último ano, levando cada vez mais pessoas a revelar informações confidenciais aos criminosos. Em um estudo conduzido em abril de 2004 (“Phishing Attack Victims Likely Targets for Identity Thefts”), a Gartner pesquisou 5000 usuários adultos da Internet e descobriu que por volta de 3 por cento dos pesquisados afirmaram ter fornecido informações financeiras ou pessoais, após terem sido levados a uma armadilha do tipo “phishing”, que normalmente utiliza mensagens de e-mail e páginas da Web criadas para parecerem correspondência legítima de empresas on-line. Uma taxa de sucesso de 3 por cento é mais do que suficiente para estimular outros ataques, observa a Gartner.

O resultado das pesquisas sugere que 57 milhões de adultos já sofreram ataques do tipo “phishing” e que 1,78 milhões de adultos foram vítimas desses ataques, fornecendo informações confidenciais pessoais.

O Anti-Phishing Working Group, um consórcio voluntário que monitora os ataques on-line, reportou recentemente que rastreou 1125 ataques do tipo phishing exclusivos em abril, um aumento de 180 por cento em relação ao número de ataques relatados em março. O consórcio revelou também que grandes e conhecidas empresas, como o Citigroup, Bank of America, Wachovia, Wells Fargo e Lloyds TSB, também foram afetadas por esse tipo de ataque.

Aparentemente, os agressores estão agora levando o ataque do tipo phishing para um outro nível. Em vez de contar somente com a ingenuidade de suas vítimas, os agressores estão também se aliando aos criadores de vírus, para explorar as vulnerabilidades do software e plantar Cavalos de Tróia nos computadores-alvo.

No mês passado, o jornal de tecnologia eWEEK relatou que uma mensagem de e-mail começou a circular recentemente com a finalidade de instalar um Cavalo de Tróia conhecido como Sepuc. O e-mail não apresenta linha de assunto e não possui texto no corpo da mensagem. Quando o usuário abre a mensagem, o código oculto no e-mail tenta explorar uma vulnerabilidade conhecida do navegador Internet Explorer da Microsoft, para forçar um download de um computador remoto.
Segundo os especialistas, o arquivo então faz o download de vários outros códigos, e eventualmente instala um Cavalo de Tróia capaz de coletar dados do PC e enviá-los a um computador remoto.

De acordo com a eWEEK, “O aspecto mais preocupante desse ataque é que, diferente de agressões anteriores, as vítimas desse ataque nem terão idéia de que estão fazendo alguma coisa errada”.

Desafios e tendências das soluções atuais
A indústria de segurança tem respondido de forma agressiva e eficaz, na tentativa de ajudar seus clientes a lidar com as ameaças combinadas. As principais ferramentas são o popular antivírus, firewall, detecção de intrusões, anti-spam, filtragem de conteúdo, aviso preventivo e produtos de gerenciamento de patches. Apesar de novos recursos serem adicionados a esses produtos regularmente, os maiores obstáculos à sua eficiência são causados pelas limitações da implementação em ambientes corporativos reais. Ou seja: se recebermos um alerta preventivo sobre uma nova ameaça, estamos organizados para responder de forma dinâmica e ativa? Sabemos como aplicar patches, mas como utilizarmos os patches de forma rápida, sem danificar os próprios sistemas que estamos tentando proteger? Temos conhecimento de todos os dispositivos que necessitam de patches? Quais os dispositivos que devem receber o patch primeiro? Como convencer nossos funcionários a resistir a comportamentos que colocam nossa rede em risco? Em uma corporação global, como podemos obter, de forma confiável, boas tecnologias de controle, implementadas e configuradas de forma segura?

Phishing (e, de uma forma geral, as fraudes que phishing proporciona) impõe uma nova série de desafios à indústria de segurança e, como era de se esperar, um grande esforço tem sido feito no sentido de criar e implementar ferramentas contra esses ataques. Os fornecedores de produtos de e-mail vêm modificando o software de seus clientes, para que não suportem a defraudação de e-mails ou de URLs. Tanto as empresas do setor público, como do setor privado, vêm trabalhando para informar os usuários sobre como identificar e evitar os ataques de phishing e outras pressões da engenharia social. Estão surgindo novos produtos (e aprimoramentos de produtos já existentes) que podem detectar anormalidades em e-mails e/ou URLs de websites, para que os usuários sejam notificados do risco em potencial. Alguns serviços disponíveis tentam detectar o tráfego de e-mail e websites não legítimos associados aos ataques de phishing, para que possam alertar os responsáveis pelo website legítimo de que sua marca e seus clientes estão sendo atacados.

As empresas que se tornam alvos do ataque phishing estão também entrando com ações judiciais contra os agressores. Alguns provedores de serviços da Internet se engajaram na identificação e fechamento de sites falsos e tráfego de e-mails maliciosos. A sanção de leis (tanto internas como internacionais) colocou os ataques do tipo phishing em destaque, devido às suas implicações subjacentes de roubo de identidade. A lista é infinita. E o mundo não está aceitando esse tipo de ataque de braços cruzados.

O problema fundamental
Seja quando executados simplesmente por interesse em ganhos financeiros, ou por qualquer outra forma de extorsão, todos esses ataques deixam uma questão muito clara: os mecanismos de confiança por trás dos aplicativos de Internet mais usados (principalmente websites, navegadores e programas de e-mail) não são suficientes para a proteção de dados confidenciais e transações arriscadas. Os profissionais de segurança das informações sabem muito bem disso, e vêm levantando bandeiras de alerta desde o início da revolução do e-commerce. No entanto, esses mecanismos básicos continuam a ser facilmente dissimulados, e é exatamente isso que os ataques do tipo phishing fazem. Mas, na verdade, não teria necessidade de ser assim.

O antídoto mais eficaz, estratégico e de longa duração para os ataques do tipo phishing e as fraudes que eles suportam seria uma infra-estrutura de confiança aprimorada. Um elemento importante de confiança aprimorada seria uma autenticação mais potente das partes que se comunicam pela Internet. Por exemplo, os destinatários de e-mails deveriam ter garantia de que o remetente é realmente quem alega ser, e, ao visitar websites, deveriam haver formas fáceis e seguras de saber quem são os proprietários do site. Uma tecnologia que poderia ajudar a cumprir essa visão de confiança é a nossa velha (e controversa) conhecida, a PKI (public key infrastructure, infra-estrutura de chave pública).

A PKI vem sendo implementada parcialmente em quase todos os cantos da Internet (considere-o como um SSL integrado em cada navegador e aplicativo de servidores), governos estão fazendo implementações em grande escala, e várias empresas recentemente voltaram a usar PKI em funções essenciais de segurança interna. Será interessante observar se pressões, como os recentes ataques e fraudes baseados em phishing, alterarão fundamentalmente as justificativas de alto custo, que têm impedido a implementação de uma infra-estrutura de confiança aprimorada para a Internet.

Conclusão: não há uma solução mágica
Seja quando executados simplesmente por interesse em ganhos financeiros, ou por qualquer outra forma de extorsão, todos esses ataques deixam uma questão muito clara: os mecanismos de confiança por trás dos aplicativos de Internet mais usados (principalmente websites, navegadores e programas de e-mail) não são suficientes para a proteção de dados confidenciais e transações arriscadas. Os profissionais de segurança das informações sabem muito bem disso, e vêm levantando bandeiras de alerta desde o início da revolução do e-commerce. No entanto, esses mecanismos básicos continuam a ser facilmente dissimulados, e é exatamente isso que os ataques do tipo phishing fazem. Mas, na verdade, não teria necessidade de ser assim.

O antídoto mais eficaz, estratégico e de longa duração para os ataques do tipo phishing e as fraudes que eles suportam seria uma infra-estrutura de confiança aprimorada. Um elemento importante de confiança aprimorada seria uma autenticação mais potente das partes que se comunicam pela Internet. Por exemplo, os destinatários de e-mails deveriam ter garantia de que o remetente é realmente quem alega ser, e, ao visitar websites, deveriam haver formas fáceis e seguras de saber quem são os proprietários do site. Uma tecnologia que poderia ajudar a cumprir essa visão de confiança é a nossa velha (e controversa) conhecida, a PKI (public key infrastructure, infra-estrutura de chave pública).

A PKI vem sendo implementada parcialmente em quase todos os cantos da Internet (considere-o como um SSL integrado em cada navegador e aplicativo de servidores), governos estão fazendo implementações em grande escala, e várias empresas recentemente voltaram a usar PKI em funções essenciais de segurança interna. Será interessante observar se pressões, como os recentes ataques e fraudes baseados em phishing, alterarão fundamentalmente as justificativas de alto custo, que têm impedido a implementação de uma infra-estrutura de confiança aprimorada para a Internet.

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