brasil
sites mundiais
produtos
compras symantec
serviço e suporte
security response
downloads
sobre a symantec
pesquisa
comentarios


© 1995-2005 Symantec Corporation.
Todos os direitos reservados.
Notas Legais
Política de Privacidade

soluções corporativas

Análise das Mudanças Importantes na Segurança do Ciberespaço

Por Richard Clarke
Diretor, Good Harbor Consulting

ID do Artigo: 4198
6 de julho de 2004
Introdução
Uma mudança brutal
Uma galeria de malfeitores anônimos
Olhando adiante
Defesa Total
Sobre o autor
Links relacionados

Já faz alguns anos que você tem ouvido falar sobre um importante problema de segurança no ciberespaço. Estamos tão acostumados a debater esse problema que talvez não tenhamos notado as mudanças recentes. Estou falando de mudanças importantes ocorridas no último ano e meio. Elas passaram desapercebidas em parte por estarmos já acostumados a ouvir pessoas como eu afirmar que há um problema. Contudo, o problema agora tornou-se muito mais grave. Isso fica aparente ao analisarmos cinco tendências atuais.

A primeira tendência está relacionada ao número de vulnerabilidades em softwares. Nos últimos três anos, o número de vulnerabilidades identificadas dobrou a cada ano. Há agora mais de 40 mil vulnerabilidades de software conhecidas. Apenas no ano passado, até 60 vulnerabilidades por semana chegaram a ser publicamente anunciadas.

Isso nos leva à segunda tendência, que é a quantidade de correções com as quais temos de lidar. Nos últimos 18 meses, até 30 correções a serem aplicadas por administradores de sistema foram lançadas em uma certa semana. Isso significa que, enquanto está instalando uma correção, você está também validando uma outra correção e sendo notificado sobre o lançamento de mais uma nova correção.

Em resumo, você foi inundado por correções e praticamente perdeu o controle sobre o gerenciamento de correções. Além disso, enquanto aguarda a validação de uma correção para verificar seu efeito sobre a rede e os aplicativos, você está correndo riscos, pois ainda não instalou aquela correção. Antigamente, era possível aguardar. Atualmente, aguardar significa correr riscos.

E isso nos conduz até a terceira tendência. Antes víamos um longo período de tempo decorrer entre a descoberta e o anúncio de uma vulnerabilidade e a sua exploração por hackers. Esse período de tempo encurtou dramaticamente.

Houve ocasiões no último ano em que apenas 6 horas decorreram entre a identificação de uma vulnerabilidade de software e a publicação de um método de exploração dessa vulnerabilidade em uma sala de bate-papo de hackers.

A quarta tendência está relacionada ao tempo. Quanto tempo é necessário para que um vírus, worm ou ameaça combinada penetre no ciberespaço? Quanto tempo leva até que a ameaça ataque o seu computador? O padrão costumava ser o Code Red, que lançou seu ataque em julho de 2001. Ele representou a propagação mais veloz já vista no ciberespaço. Essa ameaça combinada atingiu os cinco continentes, e 300 mil computadores foram infectados com êxito em 26 horas. Acreditamos que seria extremamente difícil para os usuários reagir tão rapidamente e lidar com esse ataque.

Ainda assim, em fevereiro de 2003, vimos o mesmo tipo de ataque atingir o mesmo número de computadores, porém não em 26 horas, mas em 14 minutos.

E isso introduz a quinta tendência, que é o prejuízo econômico causado por ameaças combinadas. Atualmente, sabemos que todas as estimativas de prejuízo econômicos são apenas estimativas. E isso acontece porque a maioria das pessoas não registra o prejuízo econômico acarretado por ataques cibernéticos. Portanto, eu reconheço que os valores a seguir são baseados em dados de pesquisas. Eles podem não estar corretos, porém é provável que a tendência esteja correta.

Considere o seguinte: em 2002, o custo da remoção de worms e vírus chegou a 45 bilhões de dólares no mundo todo. Usando a mesma metodologia, o custo registrado apenas no mês de agosto de 2003 foi de 38 bilhões de dólares. Em outras palavras, o custo anual em 2002 foi similar ao custo registrado em um mês em 2003. Estima-se que o custo anual de 2003 ficará entre 119 bilhões e 145 bilhões de dólares. Novamente, compare esse valor com os 45 bilhões de dólares em 2002.

Uma mudança brutal
Quando os valores variam dessa maneira, ficam evidentes as mudanças no cenário. Houve uma mudança brutal no ambiente cibernético, e você deverá informar sobre isso a todos os presidentes, CEOs e chefes de departamentos para os quais trabalha. Isso não é mais uma tarefa rotineira. Estamos registrando uma crise de segurança no ciberespaço.

Durante anos, você ouviu falar sobre ataques a infra-estruturas essenciais, como transporte, serviços bancários e financeiros e usinas de energia. E, de fato, a mudança brutal ocorrida no último ano e meio forneceu bons exemplos de ataques cibernéticos às empresas privadas que controlam essa infra-estrutura essencial. Exemplos ocorreram no mundo todo:

  • Um dia, todos os caixas eletrônicos de um dos maiores bancos norte-americanos pararam de funcionar devido a um ataque cibernético
  • Uma das maiores ferrovias nos Estados Unidos já teve de interromper o serviço de todos os seus trens devido a um ataque cibernético
  • Uma importante companhia área cancelou todos os seus vôos durante um dia inteiro devido a um ataque cibernético
  • Um ataque cibernético em um importante oleoduto interrompeu o fornecimento de gás na Rússia
  • As autoridades em Israel e na Noruega anunciaram tentativas de ataques cibernéticos em suas usinas de energia elétrica.

Blecautes graves foram registrados no ano passado na Itália, na maior parte da Inglaterra e na maioria das regiões dos Estados Unidos. O blecaute em 14 de agosto nos Estados Unidos pode não ter sido causado por um ataque cibernético, porém sabemos que dois dias antes de ocorrer, as empresas de energia elétrica norte-americanas – empresas que geram e distribuem a energia elétrica – admitiram, pela primeira vez, ter vulnerabilidades no ciberespaço. E em 12 de agosto elas adotaram, voluntariamente, diretrizes de segurança para as usinas de energia norte-americanas.

A infra-estrutura essencial no espaço físico não é a única a ser atacada. Em novembro de 2002, um ataque de “negação de serviço” foi lançado contra o Sistema de Nomes de Domínios (DNS). Essa foi uma tentativa de descobrir que volume seria necessário para imobilizar cada uma das raízes de “A” até “J”.

Esse não foi um ataque do tipo “lançar fogo e esquecer”. Não foi apenas um “bot” (de “robot”, tipo de software autônomo) solto no ciberespaço. Alguém estava direcionando o ataque e calculando o volume necessário para paralisar cada uma dos centros. Essa não é uma prática comum, uma vez que a maioria dos ataques parece ser automatizada.

Uma galeria de malfeitores anônimos
O aspecto mais interessante sobre quase todos esses ataques é que até hoje ninguém foi preso. Ocasionalmente, indivíduos são descobertos e presos por terem capturado um worm ou vírus e o modificado para, em seguida, o lançarem novamente no ciberespaço. Contudo, as autoridades , na maioria dos casos, não são capazes de localizar o responsável por tais ataques.

Quem são esses “bandidos”? Sabemos que há diversos tipos de indivíduos com más intenções no ciberespaço. Em uma extremidade do espectro estão aqueles tentando se exibir. Com freqüência, são adolescentes fazendo o equivalente a "tirar um racha" no ciberespaço.

Entretanto, no próximo nível estão pessoas envolvidas em fraude e extorsão. No mundo todo, indivíduos têm se infiltrado em sistemas de países estrangeiros, descobrindo listas de clientes e ameaçando disponibilizar os nomes e os dados de cartão de crédito em websites públicos a menos que sejam pagos. Isso é pura chantagem e extorsão.

Às vezes, o intuito é cometer fraudes e roubar identidades. Não estávamos cientes da gravidade do problema de roubo de identidade nos Estados Unidos, porém registrávamos um grande número de reclamações. Até que o FTC (Federal Trade Commission, Comissão Federal de Comércio) dos Estados Unidos conduziu uma pesquisa para saber a extensão exata do problema de roubo de identidade.

Suas descobertas foram publicadas em setembro de 2003 e demonstraram que, nos últimos cinco anos, 27 milhões de norte-americanos foram vítimas de roubo de identidade. E nesse caso também a tendência é que esse número aumente. Desses 27 milhões, 9 milhões foram vítimas nos últimos 12 meses.

E quanto ao custo? Para as empresas, bancos e organizações que armazenavam as identidades roubadas, o custo médio envolvido é de 10 mil dólares para cada identidade roubada. Portanto, considere o custo à economia norte-americana de 27 milhões de identidades roubadas em cinco anos, ao preço de 10 mil dólares por identidade roubada para as empresas do setor privado.

Acredito que tenha ficado claro até aqui porque afirmei que houve uma mudança brutal e que o cenário está cada vez pior. As estatísticas estão aumentando, os ataques ao setor privado estão mais graves e o prejuízo estende-se para além do registrado há alguns anos. E se essa mudança for permanente, para onde estamos caminhando? O que virá a seguir?

Olhando adiante
Uma possibilidade que devemos considerar é que a nova geração de worms e vírus terá conseqüências mais graves. Tivermos sorte até agora: os worms e vírus que enfrentamos não causaram danos graves demais. Acrescente uma ou duas linhas extras de código, e o dano poderia ser bem pior. A probabilidade é que isso ocorra ainda este ano.

Outra possibilidade é um ataque de “dia zero”. Um ataque de dia zero significa que a vulnerabilidade sendo explorada ainda não foi identificada. Não estou falando de um ataque algumas horas após uma vulnerabilidade ter sido anunciada ao público, e sim de um ataque de "dia zero", que explora uma vulnerabilidade que um hacker tenha identificado e que nunca tenha sido anunciada publicamente. Deveríamos esperar a ocorrência de um ataque de dia zero em algum momento em 2004.

Quais são as conseqüências de todas essas atividades no ciberespaço? Em resposta a isso, os governos têm analisado as possibilidades de regulamentar o ciberespaço, criando regras e regulamentações quanto à sua segurança. Nos Estados Unidos, há diversas regulamentações federais para os setores de instituições bancárias e financeiras, da saúde e diversos outros.

Em 2006, o setor de instituições bancárias e financeiras adotará globalmente o chamado “Basel II”, um novo padrão de volume monetário a ser mantido em mãos pelas instituições financeiras. No passado, os bancos tinham de manter o dinheiro no cofre – ou seja, em mãos em vez de emprestado e gerando lucros – de acordo com o risco associado aos empréstimos que realizavam.

Contudo, de acordo com o Basel II, instituições bancárias e financeiras no mundo todo deverão manter o dinheiro em mãos de acordo com o seu risco operacional, incluindo o risco à sua segurança no ciberespaço. Em outras palavras, se possui um banco e a sua segurança no ciberespaço não é confiável, em 2006 você passará a perder dinheiro, uma vez que deverá manter mais dinheiro no cofre, e menos dinheiro em empréstimos e investimentos.

Outra conseqüência é que as pessoas irão procurar cada vez mais utilizar métodos de defesa automatizados. Quando apenas 6 horas são necessárias para que uma vulnerabilidade identificada seja explorada, e apenas 14 minutos é o que leva entre o lançamento de um vírus no ciberespaço e a sua propagação global, você tem de reagir rapidamente.

Por essa razão, as pessoas têm buscado modos de automatizar respostas e identificar vulnerabilidades antecipadamente através de software especializado. Além disso, elas buscam cada vez mais terceirizar sua segurança a fim de contar com alguém que monitore continuamente seus sistemas e reaja a tempo.

Até conseguirmos aprimorar a qualidade de software e estabelecer um padrão internacional de garantia de qualidade que possa ser aplicado a um software antes que seja distribuído globalmente, continuaremos a enfrentar esses problemas.

Defesa total
Para a sua empresa, isso significa duas providências a serem tomadas. Em primeiro lugar, você deve contar com uma defesa total. Você não pode mais contar com um ou dois sistemas, ou depender de apenas um bom sistema antivírus ou um bom firewall. É necessário ter camadas de firewalls e segmentação da rede, além de firewalls e antivírus nas estações de trabalho.

É necessário ainda novos métodos para lidar com ameaças que se infiltram em seu perímetro, uma vez que esse perímetro está começando a desaparecer. Seu desaparecimento tem sido causado pelo fato de estarmos todos usando redes virtuais privadas (VPNs) e laptops conectados a essas redes virtuais privadas. Às vezes, nesse cenário, os laptops foram previamente atacados e infectados e, ao se conectar à VPN, essa serve de meio para que o ataque chegue até a rede privada.

O perímetro tem desaparecido também devido ao uso de dispositivos móveis Wi-Fi. E isso é agravado pelo fato de hackers terem descoberto modos de usar ataques de chamada remota para penetrar os firewalls. Portanto, não podemos mais depender de apenas uma camada de defesa ou da abordagem “um firewall, DMZ (zona delimitada) e antivírus”. É necessário uma defesa total.

Isso envolve a implementação da detecção de intrusões baseada na rede, bem como baseada em host. Requer também a implementação de sistemas de prevenção de intrusões que monitorem comportamentos anômalos e assinaturas de ataques. Além disso, a defesa total engloba sistemas que controlem a ocorrência de violações da política de segurança de TI e enviem alarmes ao encontrar tais violações.

Temos falado sobre defesa total durante anos, porém em vista dos novos desafios e da mudança brutal no cenário de segurança de TI, chegou a hora de implementá-la.

A segunda providência, infelizmente, envolve gastar mais dinheiro em segurança de TI. Isso é algo que ninguém quer ouvir, já que todos desejam saber qual será o retorno sobre o investimento na segurança de TI. Porém, não há uma fórmula perfeita que possa indicar aos diretores financeiros ou CEOs a extensão do retorno sobre esse investimento. O que podemos fazer é informar a eles qual será o retorno sobre investimento caso não aumentem o investimento em segurança no ciberespaço.

No mundo inteiro, as pessoas têm gasto mais e mais dinheiro. Nos Estados Unidos, o governo federal irá gastar, no ano fiscal iniciado em outubro passado, 5 bilhões de dólares para defender seus sistemas de computador contra ataques de hackers.

Infelizmente, diretores de informática e diretores de segurança de informática podem encontrar dificuldades para convencer a diretoria, os presidentes e os CEOs. Contudo, é sua obrigação informar-lhes que o cenário mudou e que eles estarão arriscando a empresa caso não tomem providências.

O essencial a fazer é se munir de argumentos convincentes que possa levar até seus superiores, e informar-lhes que agora enfrentam uma nova e diferente ameaça. E que vocês não poderão combatê-la com os seus métodos de defesa atuais. É necessário uma defesa total.

Sobre o autor
Richard Clarke dedicou duas décadas de sua vida profissional ao combate do terrorismo. Ele trabalhou para sete presidentes e atuou na Casa Branca para George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush até se aposentar em março de 2003 da função de Consultor-mor de segurança no ciberespaço. Clarke administrou a crise nacional em 11 de setembro de 2001 ao gerenciar a Sala de Situação, uma cena que descreve em seu livro mais recente, “Against All Enemies”.

Links Relacionados:

assine
Outros Artigos de Segurança
Centro de Imprensa
 
 
Licencias Parcerias da Symantec Channel Partners Home