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Não se Esqueça do Básico

Bruce Moulton
Vice-Presidente de Estratégia de Negócios da Segurança de Informação
Symantec Corporation

ID do Artigo: 4413
20 de julho de 2004
Introdução
Tudo está relacionado com as pessoas
Análise básica de riscos
Conclusão
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Todos nós acompanhamos as manchetes dos jornais. Os ataques chamados de "phishing" estão em crescimento. As ameaças de dia zero, como o ataque lançado no dia 25 de junho, são cada vez mais prováveis. Os pesquisadores de segurança anunciam um worm desafiador, que tem como alvo telefones celulares. É um problema em constante crescimento.

Como cada semana traz as explorações mais elaboradas ou novos fantásticos desenvolvimentos tecnológicos, fica difícil não se envolver com essa tendência. É por isso que de tempo em tempo, eu aproveito para abordar o que considero ser um dos princípios básicos da segurança de informações. Digamos assim, o alicerce. Considere este artigo como o primeiro de uma série.

Para instituições financeiras (e também para várias outras empresas) é muito fácil ficar envolvido com as últimas ameaças tecnológicas, a última solução de ponta ou as tecnologias mais recentes. Esse é o preço de fazer negócios no acelerado mundo em que vivemos atualmente. Porém, apesar de ser necessário entender e dominar todas as questões tecnológicas, precisamos ter em mente também que se não obtivermos sucesso na manutenção de uma fundação forte dos princípios básicos da segurança das informações, nosso sucesso tecnológico não será suficiente.

Tudo está relacionado com as pessoas
Alguns desses princípios básicos podem parecer óbvios, mas isso não os tornam menos pertinentes. Por exemplo, um desses princípios é: “A segurança física é a fundação da segurança lógica.” Outro exemplo: “O sucesso da segurança depende das pessoas.”

Uma análise rápida da paisagem atual de ameaças reforça a sabedoria contida nesses dois princípios. Empresas e indivíduos lutam diariamente contra uma crescente variedade de ameaças da Internet. Na realidade, mais de 100 novos vírus e quase 60 novas vulnerabilidades de software são descobertas toda semana, de acordo com o mais recente Relatório de Ameaças à Segurança da Internet da Symantec. Apesar da tecnologia ajudar a nos proteger em tal ambiente, nenhuma tecnologia sozinha pode realizar essa tarefa. Isso ocorre porque a realidade está relacionada às pessoas. E fazer com que as pessoas ajam de forma correta é a parte mais difícil. Sabemos como tornar nossas infra-estruturas seguras, porém as pessoas cometem erros (os criadores das regulamentações nos EUA parecem entender esse princípio muito bem, pois adicionaram treinamento como uma medida de segurança de destaque nas diretrizes do Gramm-Leach-Bliley [GLBA]).

Análise básica de riscos
Um outro princípio: “Qualquer risco é admissível.” O que isso quer dizer?

Empresas efetivas e prudentes garantem que as decisões para aceitar, transferir ou reduzir riscos sejam feitas de acordo com dois critérios:

  • O responsável pela decisão deve obter informações suficientes para entender o risco (riscos complexos não devem ser gerenciados com base somente em considerações financeiras). “Informações suficientes” significa entender as ramificações comerciais do risco.
  • O escopo da responsabilidade e autoridade do responsável pela decisão está diretamente relacionado ao patrimônio em risco (por exemplo, o gerente de uma unidade comercial não deve tomar decisões sobre riscos que afetem toda a empresa).

Porém, apesar do uso da prudência, há também diferenças legítimas no apetite para riscos de diferentes indivíduos responsáveis pelas decisões. Nenhuma combinação de ameaças e vulnerabilidades pode ser considerada como um risco incondicional. O risco está totalmente relacionado ao contexto comercial e à disposição para aceitar riscos. Como você conta com recursos de pessoal, a discussão deste princípio com eles os informa que você entende e respeita a autoridade que lhes foi concedida para tomar decisões com relação aos riscos básicos, incluindo aquelas relacionadas à segurança das informações.

Como foi observado pelo IT Governance Institute com relação à infra-estrutura do COBIT: “A gerência deve decidir o nível de riscos que está disposta a aceitar. A análise do nível que deve ser tolerado, especialmente quando avaliado com relação a custos, deve ser uma decisão difícil para a gerência. Portanto, a gerência necessita de uma infra-estrutura de segurança de TI e práticas de controle que sejam aceitas globalmente, para avaliar o desempenho do ambiente de TI existente.”

Por que insistir em uma análise básica de riscos? Porque, com muita freqüência, a gerência decide aceitar riscos, com esperança de que nada aconteça ou com base em interpretações errôneas de seus funcionários. Muitos não possuem uma noção adequada do que está em risco. Como profissionais de segurança das informações, é nosso desafio ajudar a remediar essa situação, e direcionar os esforços de segurança para as iniciativas comerciais. Na minha experiência, uma conversa com o pessoal envolvido é muito mais efetiva, se for possível chegar a um acordo mútuo sobre alguns princípios simples e básicos. E, finalmente, vale a pena analisar novamente as decisões relacionadas a supostos riscos tomadas nos últimos anos. O clima regulamentar atual vem sendo alterado diariamente, e o que pode ter sido uma decisão de riscos prudente no passado, pode não ser relevante hoje.

Uma outra idéia básica: “Não é possível assegurar (ou gerenciar) aquilo que não se conhece.” Pense naquelas infra-estruturas de rede confusas, resultantes da fusão e aquisição de empresas. É bastante comum para empresas de qualquer porte ter somente uma idéia parcial do que faz parte de sua rede e presumir que se tem uma noção real da mesma. As informações necessárias incluem hardware, sistema operacional e informações sobre a configuração de aplicativos, além de parâmetros para controles de segurança. A verdade é que não é possível assegurar a rede, se não sabemos nem o que a compõe e como é configurada.

Tudo isso leva à seguinte conclusão: as instituições financeiras precisam conduzir uma avaliação de riscos abrangente de seus sistemas e redes de informações atuais. Aliás, essas avaliações deveriam ser agendadas regularmente. Ou para colocar como um dos meus princípios: “Não é possível assegurar o que não se pode gerenciar, e não é possível gerenciar o que não se pode avaliar." Em termos do que é relevante para o clima regulamentar atual, temos a obrigação de saber os controles que possuímos e se eles funcionam como deveriam. Não é possível saber se algo é compatível, ao menos que possa avaliá-lo ou monitorá-lo.

Isso nos leva a outro princípio: “Nenhum controle é perfeito.” Ou seja, nenhum risco pode ser considerado como zero. Os riscos podem ser aceitos, transferidos ou reduzidos. Nenhum controle representa uma solução mágica.

Como podem notar, vários dos princípios aqui introduzidos trazem um tom de realismo ao tópico segurança. Essa abordagem tem sido muito bem aceita por todas as equipes de empresas com as quais tenho trabalhado durante todos os meus anos de experiência.

Conclusão
Como podem ver, esses princípios básicos não são necessariamente exclusivos para os serviços financeiros, porém essa indústria precisa dominar tais princípios como qualquer outro setor. É muito simples e desafiante.

Gostaria de encerrar em um certo tom de urgência e este é o motivo: diretores e departamentos de TI de instituições financeiras têm sido pressionados para fazer mais com menos recursos, e para agir mais rapidamente com maior impacto no sucesso da empresa. Tem sido exigido de diretores que não só mantenham a empresa em funcionamento, mas que também implementem novos recursos que permitam à empresa obter novas oportunidades, ataquem novos mercados e se mantenham à frente da concorrência, além de manter relações ainda mais estreitas com seus clientes.

Por todas essas razões, é necessário criar uma conexão forte com o gerenciamento, para aumentar o entendimento do que está em risco. É necessário entender que risco não é algo que pode ser totalmente delegado ao departamento de TI. E precisamos também insistir na implementação de alguns princípios básicos como a fundação para um diálogo sobre a segurança das informações com o gerenciamento da empresa.

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