Entendendo
o Cenário de Ameaças Atual
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A maneira como falamos e pensamos
a respeito dos códigos maliciosos mudou significativamente
nos últimos anos. As ameaças de códigos
maliciosos são, hoje em dia, sinônimos
de vulnerabilidades de software e vice-versa. Uma análise
do cenário de ameaças atual mostrará as
evidências disso.
Nos últimos quatro a cinco anos, temos percebido
um aumento consistente no número de novas vulnerabilidades
relatadas, mudando de uma média de 10 por semana
em 1999 para uma média de 51 por semana em 2003.
O número não está simplesmente
aumentando porque estamos vendo, cada vez mais, produtos
repletos de bugs. Na verdade, isso pode ser atribuído
a duas causas principais:
- Um aumento na atitude de divulgação
completa;
- Um aumento da conscientização
das vulnerabilidades e um esforço maior para
encontrá-las.
O que temos aqui é uma faca de dois gumes.
Ao mesmo tempo em que temos mais informações
disponíveis para proteger nossas redes, os agressores
também têm mais informações
disponíveis para iniciar seus ataques.
Tendências
das vulnerabilidades
Vamos analisar mais profundamente essas vulnerabilidades.
Aproximadamente 80% das vulnerabilidades divulgadas
em 2003 foram classificadas como possíveis de
serem exploradas de modo remoto (praticamente sem alteração
em relação aos 81% em 2002). Isso é importante
uma vez que essas vulnerabilidades classificadas como
possíveis de serem exploradas de modo remoto
são sempre classificadas pelo menos como de
médio risco. Por quê? Porque o componente
vulnerável pode ser acessado por um número
maior de agressores, tornando a vulnerabilidade uma
ameaça.
Os pesquisadores de segurança procuram cada
vez mais por vulnerabilidades exploráveis de
modo remoto devido a um número maior de alvos
que podem ser acessados pelas redes interconectadas.
Além do mais, os aplicativos são cada
vez mais capacitados para o uso em rede e, conseqüentemente,
isso aumenta o número de vulnerabilidades que
podem ser exploradas de modo remoto.
Muitas vulnerabilidades também afetam os aplicativos
da web, indicando a tendência de aumento de vulnerabilidades
de alto risco. Por exemplo:
- Havia 54 vulnerabilidades do Internet Explorer
em 2003
- Até agora, já foram documentadas
43 vulnerabilidades do Internet Explorer em 2004
- A maioria dessas vulnerabilidades
continua sem correções
por longos períodos.
Tendências
de códigos maliciosos
UEm relação aos códigos maliciosos,
a Symantec observou que o número de vírus
e worms em Win32 no primeiro semestre de 2004 foi quatro
vezes e meia maior do que no mesmo período de
2003 (para estabelecer uma perspectiva, houve duas
vezes e meia a mais o número de vírus
e worms em Win32 no segundo semestre de 2003 do que
no mesmo período de 2002).
As ameaças com base em Win32 usam a API do
Windows 32, uma interface de programação
que simplifica muitas funções exigidas
pelos aplicativos modernos. Assim como os desenvolvedores
legítimos que usam essa API para criar aplicativos,
os autores de código malicioso cada vez mais
tiram proveito dessa interface para escrever códigos
maliciosos mais eficientes. Exemplos de tal código
incluem a enumeração de outros computadores
na rede local e a tentativa de propagação
por compartilhamentos de arquivos locais.
Outras tendências significativas observadas
pela Symantec:
- Ameaças combinadas recentes como o
Blaster e o Sasser estão explorando componentes
principais do Windows;
- O intervalo entre a divulgação
da vulnerabilidade e o lançamento do código
de exploração está diminuindo;
- O
desenvolvimento de código de exploração
está aumentando;
- Hoje, existem pesquisadores
e desenvolvedores de exploração mais
qualificados;
- O compartilhamento
de código entre
os agressores está aumentando;
- Os agressores
e as ameaças combinadas
estão, cada vez mais, visando porta dos fundos
de outras ameaças;
- A popularidade – e a segurança
limitada – dos programas de Mensagens Instantâneas
e rede P2P tornam estes software atrativos para os
criadores de códigos maliciosos.
Uma corrida contra o tempo
Agora vamos analisar algumas estatísticas que
mostram como aumentou a taxa de disseminação
de worms em computadores. A ameaça combinada
Code Red, lançada em meados de 2001, duplicava
sua taxa de infecção a cada 37 minutos.
Menos de dois anos depois, o worm Slammer, lançado
em janeiro de 2003, duplicava sua taxa de infecção
a cada 8,5 segundos. Com essa taxa, o Slammer era capaz
de infectar 90% dos servidores não protegidos
na Internet em apenas 10 minutos.
A maioria das ameaças com disseminação
veloz conhecia vulnerabilidades ou “buracos” no
sistema operacional anunciados publicamente. O tempo
entre o anúncio de uma vulnerabilidade conhecida
e o lançamento de uma ameaça direcionada
a ela está diminuindo. Em meados de 2003, a
ameaça Blaster foi lançada apenas 27
dias depois de a vulnerabilidade associada ter sido
anunciada. Em maio deste ano, o Sasser veio à tona
apenas 18 dias depois da divulgação da
vulnerabilidade Microsoft LSASS. À medida que
esse período diminuir no futuro, a capacidade
de resposta das empresas será cada vez mais
difícil.
Finalmente, considere o recente worm MyDoom (ou seja,
a primeira variante), que infectou sistemas de e-mail
no mundo inteiro. Em seu auge, um em cada 12 e-mails
na Internet carregava o MyDoom.
Obviamente, as ameaças mais recentes estão
se espalhando tão rapidamente que é praticamente
impossível que algum mecanismo de segurança
baseado em assinaturas possa contê-las. Além
disso, as ameaças futuras poderiam até fazer
com que achássemos que o Slammer fosse mais
lento por comparação. Não seria
nenhuma surpresa, portanto, se eu dissesse que precisamos
encontrar fundamentalmente novas maneiras de “ganhar
na corrida contra o tempo”.
É necessário mudar a estratégia
Se queremos vencer essa batalha, temos que mudar nossa
estratégia. Precisamos desenvolver novas técnicas
que possam controlar esses worms de disseminação
ultra-rápida. Não que as tecnologias
tradicionais baseadas em assinaturas não sejam úteis,
pelo contrário, elas ainda são indispensáveis!
No entanto, uma vez que os worms mais rápidos
podem fazer o que chamamos de “contágio
total” (infecção total de hosts
suscetíveis) muito mais rápido do que
os seres humanos e os sistemas automáticos
conseguem gerar e desenvolver uma assinatura, temos
que explorar outras formas.
A Symantec acredita que proteger o ciberespaço
requer uma estratégia de segurança completa
que inclua quatro elementos cruciais. Em primeiro lugar,
um sistema de aviso que permita alertar sobre ameaças
novas e iminentes. Em segundo lugar, as tecnologias
corretas devem ser implementadas em todos os níveis
para proteger dispositivos e dados de aplicativos cruciais.
Em terceiro lugar, um plano deve ser criado para responder
no momento da ocorrência de um ataque inevitável.
E, por último, um sistema abrangente deve ser
estabelecido para gerenciar o processo contínuo
de proteção à infra-estrutura.
Tal estratégia visa à segurança
a partir de uma perspectiva empresarial abrangente
em vez de apenas uma visão tecnológica
(ou “produto isolado”). É por isso
que é tão necessário integrar
as pessoas e os processos associados com alertas, proteção,
resposta e gerenciamento. Vamos analisar mais profundamente
esses quatro elementos.
- Alerta. A melhor maneira de proteger uma
rede de qualquer ameaça é conhecer a
mesma e a vulnerabilidade que ela explora antes de
um ataque ser lançado. Um sistema de alerta
cibernético deveria fornecer um aviso antecipado
sobre ataques recém-lançados. Também
deveria fornecer informações práticas
sobre como proteger o ambiente do ataque iminente;
- Proteção. As organizações
tradicionalmente garantem a proteção
através da implementação de uma
série de produtos isolados que funcionam de
forma independente. Contudo, com essa abordagem, cada
produto também deve ser instalado e atualizado
individualmente, criando um sistema de gerenciamento
extremamente complexo. Embora nenhuma tecnologia isolada
possa proteger adequadamente contra os sofisticados
ataques de hoje, uma abordagem integrada da segurança
pode ajudar a eliminar os desafios dos produtos isolados
e oferecer uma solução mais abrangente.
Tal abordagem dá menos enfoque às tecnologias
de proteção individual e mais aos níveis
da arquitetura dos sistemas. Isso significa que o foco
muda para os níveis de cliente, servidor de
aplicativos e gateway, em vez de escolher um firewall
ou um detector de intrusões. Com isso, cria-se
uma solução de “defesa total” que
permite gerenciar todo o ambiente, não apenas
os aplicativos de segurança individuais;
- Resposta.
Um plano de resposta eficiente começa com o conhecimento do ataque, bem como
com medidas para abordá-lo e com os detalhes
sobre como eliminar qualquer dano. Também é essencial
um suporte ininterrupto, 24 horas por dia, 7 dias por
semana, para produtos de segurança cruciais,
incluindo atualizações automáticas
a regras de firewall, definições de vírus
e assinaturas de detecção de intrusões;
- Gerenciamento.
Isso significa correlacionar rapidamente informações geradas pelas
soluções de segurança, simplificando-as
e dando prioridade a qualquer ação necessária.
O gerenciamento pode ser especialmente desafiador em
ambientes que hospedam produtos diferentes de vários
fornecedores, em que cada dispositivo gera seu próprio
excesso de dados.
Conclusão
Com a ameaça de ataques de dia zero, as empresas
não podem esperar que sejam desenvolvidas assinaturas
para seus sistemas de detecção de intrusões.
Atualmente, as ameaças são rapidamente
disseminadas e o tempo hábil para corrigir as
vulnerabilidades de segurança está cada
vez mais curto. No ano passado, o worm Blaster provou
isso.
Os sistemas de detecção de intrusões
não conseguem encontrar todos os ataques, independentemente
do tipo de sistema implementado. Se apenas IDSs de
assinatura forem implementados em toda a rede, eles
não encontrarão ataques desconhecidos
nem de dia zero. É por isso que as empresas
atuais devem explorar tecnologias iminentes como prevenção
de intrusões com base em host, bloqueio de exploração
genérica e proteção de anomalias
em protocolos, que prometem proteção
pró-ativa contra essas novas ameaças.
Os sistemas de proteção contra ameaças
de dia zero e desconhecidas exigem sistemas de aviso
e alerta avançados. Não seja surpreendido
ao ser atingido por um ataque de dia zero. Esteja preparado
para detectar, proteger, responder e controlar.
Sobre o autor
Como vice-presidente do Symantec Security Response,
Arthur Wong direciona a visão, estratégia
e execução do Symantec Security Response
e da divisão Managed Security Services. Wong é um
dos mais notáveis especialistas mundiais em
gerenciamento de ameaças a computadores do
mundo. Em 1999, ele co-fundou a SecurityFocus, uma
empresa líder de gerenciamento de ameaças à segurança
de Internet e trabalhou como CEO até a empresa
ser adquirida pela Symantec em 2002. Em 1996, ele
co-fundou a empresa de desenvolvimento de software
de segurança de Internet Secure Networks,
Inc., que foi adquirida pela Network Associates em
1998.
Wong é uma autoridade reconhecida no mercado
e um orador freqüente em eventos de segurança,
no qual ele compartilha sua experiência em ameaças,
ataques e manifestações globais, e identifica
ameaças futuras. Suas participações
mais recentes incluem CSI NetSec, ITAA e RSA Conference.
Wong é bacharel em sistemas de gerenciamento
de informações pela Universidade de Calgary.
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