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Seis Desafios Significativos para a Segurança da Informação

Por Mark E. Egan
Diretor de Informática
Vice-presidente de Tecnologia da Informação
com Tim Mather
Consultor Sênior em Segurança da Informação
Symantec Corporation

ID do Artigo: 4779
Publicado no Brasil em 06 de janeiro de 2005

Introdução
Comércio eletrônico
Crescimento constante e complexidade dos ataques à segurança da informação
Imaturidade do mercado de segurança da informação
Carência de profissionais de segurança da informação
Legislação governamental e regulamentação da indústria
Funcionários remotos e computação sem fio
Resumo
Sobre os autores
Links relacionados

O artigo a seguir foi extraído do capítulo 1 do livro The Executive Guide to Information Security (Guia do Executivo para a Segurança da Informação), de Mark Egan e Tim Mather, publicado pela Symantec Press.

A Internet cresceu de alguns milhares de usuários, em 1983, para mais de 800 milhões de usuários em todo o mundo, em 2004. Ela oferece um canal online vital para a condução dos negócios com clientes existentes e potenciais. Entretanto, apesar de ser uma excelente vantagem, a Internet apresenta significativos riscos de segurança que as empresas desconhecem ou subestimam, sujeitando-se ao perigo. A seção a seguir descreve os seis maiores desafios de segurança da informação para as empresas de hoje.

Comércio eletrônico
No passado, somente as grandes empresas eram capazes de se conectar com milhões de clientes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Agora, mesmo uma empresa com recursos limitados pode competir com seus rivais maiores ao oferecer produtos e serviços pela Internet, com apenas um pequeno investimento. Os serviços de comércio eletrônico são muito apreciados por consumidores que não gostam de gastar seu já escasso tempo livre nas lojas tradicionais, com horário comercial restrito e vendedores mal-humorados, sem contar as longas filas de caixa. Os executivos devem compreender como tirar vantagem deste novo canal de comércio eletrônico e, ao mesmo tempo, gerenciar os riscos a ele associados.

As empresas agora contam com a Internet para oferecer produtos e serviços consoantes com as preferências de compra de seus clientes. A Internet não é mais um método opcional de vendas, e sim um canal vital de distribuição que as empresas não podem mais ignorar.

Empresas pioneiras, como eBay e Amazon, revolucionaram a compra fácil de produtos pela Internet. Além da facilidade da compra de produtos por parte dos clientes, as empresas também inovaram o uso de conceitos, como “personalização”, para criar relacionamentos exclusivos com clientes individuais. Através do recurso de personalização, as empresas estão aptas a identificar seus clientes online pelo nome, oferecer-lhes produtos com base em seus hábitos de compra e também armazenar, com segurança, informações, como o seu endereço residencial, a fim de tornar a compra online muito mais rápida. Essas estratégias permitem que empresas de comércio eletrônico bem-sucedidas criem uma experiência positiva de compras online, sem as desvantagens associadas ao comércio tradicional.

No entanto, além das vantagens, surgem também novos desafios que devem ser vencidos pelas empresas para obter o sucesso. Por exemplo:

As empresas enfrentam uma tremenda pressão para entregar esses sistemas o mais rápido possível, pois ser o primeiro a comercializar um novo produto é uma grande vantagem competitiva;

  • O acesso preciso e atualizado a informações por parte de funcionários, clientes e parceiros não é mais uma perfumaria; agora ele é essencial;
  • As empresas devem oferecem esses serviços de forma fácil e totalmente segura, pois armazenam informações confidenciais, como endereços residenciais e números de cartões de crédito;
  • Os sistemas devem estar disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, pois os clientes esperam que o acesso aos produtos e serviços esteja ao seu dispor.

Esses desafios apresentam um demanda considerável das empresas de TI, porque é muito difícil entregar os sistemas de comércio eletrônico de forma rápida e segura. Com o aumento das expectativas, aumentam também a demanda de sistemas e tecnologia.

Crescimento constante e complexidade dos ataques à segurança da informação
Os primeiros vírus de computador ficavam restritos a alguns sistemas de usuários individuais, e resultavam em apenas uma pequena queda da produtividade daquele funcionário, naquele dia em particular. No entanto, as ameaças combinadas de hoje, como o Code Red e Nimda, apresentam diversas ameaças à segurança ao mesmo tempo, causando grandes interrupções e danos de bilhões de dólares às empresas. Uma ameaça combinada reúne tipos diferentes de códigos maliciosos, a fim de explorar as vulnerabilidades de segurança conhecidas. Essas ameaças usam características de worms, vírus e Cavalos de Tróia para automatizar ataques, se espalhar sem intervenção e atacar sistemas a partir de diversos pontos.

Atualmente, esses ataques causam perdas de bilhões de dólares todos os anos, de modo que as empresas não podem mais ignorar o problema. Em 2000, o vírus Love Bug sozinho teve um impacto de US$8,75 bilhões, fazendo com que as empresas finalmente reconhecessem que os vírus são uma questão de grande importância e começassem a implementar soluções antivírus de forma mais ampla. Esse esforço diminuiu as perdas enfrentadas desde aquele ano; porém, o impacto continua a ser significativo.

Três grandes questões alimentaram o crescimento dos incidentes de segurança: o aumento no número de vulnerabilidades, processos que necessitam de muita mão-de-obra para tratar das vulnerabilidades e a complexidade dos ataques.

Vulnerabilidades são brechas ou fraquezas dos sistemas exploradas pelos hackers que atacam e comprometem o sistema. Por exemplo, o administrador do sistema esquece de limitar o acesso de determinados privilégios restritos a somente usuários autorizados. Isso pode ser encarado como entregar a chave de sua casa a todos os moradores de sua rua, quando na verdade o intuito era entregá-la apenas a alguns membros de sua família. Outros exemplos incluem vulnerabilidades existentes que resultam de defeitos no software do computador. Nessas situações, geralmente o fornecedor do software não conseguiu identificar ou ignorou essas fraquezas durante o processo de teste, devido à pressão para entregar o produto dentro do prazo.

A solução da indústria de software a essas vulnerabilidades é oferecer correções em forma de patches de software que as equipes da empresa devem aplicar para “tapar o buraco”. O processo de teste e aplicação dessas correções em seu ambiente exige muito trabalho. Geralmente, é difícil lidar com as vulnerabilidades do mais alto nível e o crescimento avassalador de novas vulnerabilidades só agrava o problema. As vulnerabilidades relatadas em 2003 cresceram 300%, se comparadas às relatadas em 2000.

A complexidade dos ataques de segurança também tem crescido muito nos últimos anos. Os primeiros vírus causavam problemas individuais de produtividade, mas não chegavam nem perto do impacto de ameaças combinadas, como o Code Red ou Nimda. Como citado acima, as ameaças combinadas usam um conjunto de vetores de ataque — cinco, no caso do Nimda — para se espalhar mais rapidamente e causar mais danos do que um simples vírus. Por exemplo, o Code Red infectou 350 mil computadores em apenas 14 horas. Em janeiro de 2003, o worm Slammer atingiu a Internet, obtendo uma taxa de infecção ainda maior do que o Code Red, infectando 75 mil máquinas em menos de 10 minutos do seu lançamento.

Até hoje, o worm de envio de e-mail em massa de mais alta propagação foi o MyDoom, de janeiro de 2004. No ponto mais alto da epidemia, mais de 100 mil ocorrências do worm eram interceptadas por hora. O MyDoom dependia dos usuários para ser ativado e propagado. Engenhosamente disfarçado como um inofensivo arquivo de texto, o worm era aberto pelos usuários mais desavisados, infectando mais usuários. A rápida propagação dessas ameaças torna extremamente difícil responder a tempo para evitar danos.

Estima-se que as ameaças continuem a crescer em tamanho, velocidade e complexidade, tornando a prevenção e a limpeza ainda mais difícil. Esses fatores contribuem para determinar a necessidade de um plano dinâmico para lidar com as questões de segurança da informação dentro de todas as empresas.

Imaturidade do mercado de segurança da informação
O mercado de segurança da informação ainda é muito novo, com poucos padrões formais estabelecidos para produtos ou serviços. A melhor maneira de caracterizar esse mercado seria compará-lo ao mercado de planejamento de recursos empresariais (ERP, enterprise resource planning), no início dos anos 80. Naquela época, as empresas compravam sistemas de finanças, de processamento de pedidos e de manufatura de diversos fornecedores que eram integrados por suas equipes de TI. Esse processo era demorado e caro, pois não havia padrões definidos e havia pouca interoperabilidade entre os diferentes fornecedores. O mercado amadureceu, e um pequeno número de fornecedores, como a SAP, estabeleceram-se como líderes da indústria. Esses líderes ofereciam uma solução completa para empresas, que trazia todos os sistemas individuais como parte de um sistema ERP integrado. Eles também estabeleceram os padrões para que empresas menores pudessem oferecer recursos complementares. As empresas menores tiveram de alcançar os padrões da indústria, caso contrário eram tiradas do mercado.

A indústria de segurança da informação está em um estágio similar ao início dos anos 80 para o ERP, com diversas empresas oferecendo soluções individuais, como firewalls, que lidam apenas com uma parcela das exigências de segurança da empresa. Em conseqüência, são os clientes que enfrentam o desafio de fazer com que essas soluções funcionem em conjunto. Existem apenas algumas versões prematuras de padrões, o que força as empresas a realizarem diversas instalações de soluções “pontuais”, oferecendo componentes individuais de sistemas de segurança.

Assim como aconteceu com os sistemas ERP, isso tende a mudar, conforme um pequeno número de fornecedores afirma-se como os líderes do mercado, oferecendo soluções completas com suporte à maioria das exigências de segurança da informação das empresas. Com o tempo, os fornecedores de pequeno porte acabam integrando seus produtos a esses padrões, pois os clientes preferem que essa tarefa não seja atribuída às equipes de IT. Entretanto, até que esse dia chegue, as equipes de TI continuarão empenhadas na tarefa hercúlea de integrar todas essas soluções. Elas implementam uma lista crescente de produtos e complementam o trabalho de integração para assegurar que esses componentes funcionem em conjunto.

Outro desafio significativo para os técnicos de TI é a quantidade excessiva de dados que precisam absorver para compreender e gerenciar o estado atual de seu ambiente computacional. Cada um desses produtos gera alarmes, relatórios e afins que precisam ser consultados para determinar se há algo errado.

Os produtos de segurança geram um grande volume de dados; entretanto, apenas um pequeno número de problemas ou “incidentes” deve estar afetando a empresa. É difícil para a equipe de segurança obter um quadro geral do ambiente de segurança e colocar os planos em prática para lidar com as preocupações mais urgentes. Isso se assemelha ao desafio dos anos 90, quando sistemas de suporte a decisões ou informações executivas foram desenvolvidos para garimpar grandes volumes de dados, a fim de determinar importantes tendências de negócios. Hoje, diversos fornecedores oferecem sistemas de suporte a decisões para os executivos lidarem com essa questão. O “bilhete premiado” para a indústria de segurança da informação é desenvolver sistemas similares para solucionar esse problema no cenário de segurança.

Um desafio adicional é a baixa prioridade designada à segurança na indústria de software. Embora as empresas líderes no ramo de software tenham anunciado uma nova ênfase em segurança, ainda falta que a maioria do mercado siga esse exemplo. Atualmente, elas se concentram em fazer software de fácil utilização e sofrem uma grande pressão para colocar esses novos produtos e serviços no mercado, em detrimento da segurança. Isso resulta em um crescimento no número de vulnerabilidades. Até que a indústria sofra mais pressão para priorizar a segurança, nem que seja para sacrificar alguns recursos novos, essa situação continuará assim.

Levará algum tempo até que os fornecedores de segurança da informação ofereçam soluções maduras para proteger as empresas. Enquanto isso, você deve desenvolver estratégias para mitigar esses riscos. A boa notícia é que a indústria de segurança está seguindo o mesmo padrão que outras empresas do mercado de software, portanto, podemos esperar por soluções.

Carência de profissionais de segurança da informação
É muito difícil, e continuará sendo por algum tempo, encontrar pessoal qualificado em segurança da informação. Os carros-chefes desse desafio empregatício são: a imaturidade das soluções oferecidas pelos fornecedores de segurança da informação, o número limitado de profissionais competentes disponíveis e as habilidades específicas exigidas pela segurança da informação. Os executivos de negócios precisarão investir mais na área para superar os desafios.

Devido à imaturidade do mercado, falta de padrões e inúmeras soluções pontuais, o treinamento da equipe de segurança também é um problema. A indústria ainda não teve tempo de criar o perfil necessário para essas funções. Além disso, os desafios de segurança da informação crescem tão rapidamente e a lista de tecnologias a serem implementadas aumenta a cada dia, que é muito difícil manter-se atualizado. Isso significa ainda mais tempo e dinheiro investido para treinar funcionários nos produtos disponíveis no mercado.

Obter as credenciais necessárias para a segurança da informação exige treinamento e experiência consideráveis. A credencial Certified Information Systems Security Professionals (CISSP) é uma certificação acreditada internacionalmente que exige uma prova em diversos tópicos de segurança da informação e pelo menos quatro anos de experiência na área. Já a credencial System Security Certified Practitioner (SSCP) exige um ano de experiência, além da prova.

O Certified Information Security Manager (CISM) também exige alguns anos de experiência mínima em segurança da informação, além de uma pontuação mínima obtida em uma prova escrita. Todas essas certificações exigem um treinamento anual como parte das avaliações e o GIAC exige um teste bienal. Os profissionais de segurança que tenham esses certificados são muito procurados e os empregadores devem fazer boas ofertas para atraí-los para suas empresas. O Certified Information Systems Auditor (CISA) exige um mínimo de cinco anos de experiência, antes de se fazer a prova. O SANS Global Information Assurance Certifications (GIAC) exige que os candidatos passem por uma avaliação prática como parte de sua certificação. O Certified Information Security Manager (CISM) também exige alguns anos de experiência mínima.

Além do treinamento técnico específico, os membros da equipe de segurança da informação precisam desenvolver habilidades para garantir a segurança, o que não faz parte das funções tradicionais da equipe de TI. Em geral, são os órgãos militares, de investigação e de cumprimento de leis que conduzem treinamentos nessas áreas. Em alguns aspectos, as políticas de segurança da empresa são como “leis” que devem ser aplicadas dentro da empresa, o que exige treinamento especializado. Esse requisito único torna difícil a transição das equipes de TI atuais para funções de segurança da informação, sem passar pelo treinamento especializado de aplicação de leis.

O maior desafio dessa área talvez seja encontrar um líder com ampla experiência nessa área, que possa montar uma equipe competente de segurança da informação. Poucos candidatos estão no campo de segurança da informação há mais de dois anos e têm o conjunto de habilidades técnicas e de aplicação de leis necessárias para a função. Eles também encaram o desafio de liderança de transformar funcionários inexperientes em profissionais competentes de segurança da informação e, ao mesmo tempo, enfrentar os riscos crescentes de segurança. Esse indivíduos são raros e bastante procurados.

Os executivos precisarão de estratégias com prazos mais longos para lidar com essas exigências, pois encontrar os candidatos treinados não é só uma questão de dinheiro, mas de tempo necessário para formar uma equipe com um número limitado de pessoal qualificado.

Legislação governamental e regulamentação da indústria
Os recentes incidentes de segurança da informação e a crescente dependência da Internet têm alertado governos em todo o mundo a criar legislação adicional de regulamentação do ecossistema tecnológico. A legislação abrange áreas amplas, como a privacidade dos consumidores, especificando regulamentações para indústrias como sistemas de saúde e serviços financeiros. Como a Internet é facilmente acessível em vários locais do mundo, é importante compreender e operar em conformidade com essas regulamentações. As empresas que aderirem a essas regulamentações e oferecerem a seus clientes um método seguro e confiável de conduzir seus negócios podem obter um lugar de destaque frente a seus concorrentes.

A privacidade é o maior problema em termos de comércio eletrônico devido ao alto risco de mau uso das informações pessoais. Os sistemas de computador contêm informações pessoais de milhões de pessoas e, se as empresas não tomarem as precauções necessárias para garantir que essas informações estejam protegidas e seguras, seus clientes podem ter suas identidades — nome, endereço, número de telefone e cartões de crédito — roubadas e vendidas para quem pagar mais por elas na Internet. Antigamente, somente alguns poucos hackers mais experientes conseguiam invadir os sistemas e acessar informações confidenciais. Não é mais esse o caso; agora qualquer novato pode usar ferramentas facilmente disponíveis e obter acesso a sistemas caso as empresas não usem a proteção necessária.

Essa situação deu origem a uma legislação importante para proteger os direitos dos consumidores, que agora vêem suas informações pessoais muito disponíveis em formato eletrônico. A Diretiva Européia de Proteção de Dados (European Data Protection Directive) é uma regulamentação crucial, pois os europeus levam a questão da privacidade muito mais a sério do que os EUA.

Essa diretiva proíbe a exportação de dados como nome, endereço e números de telefone a países que não atendam aos padrões mínimos de proteção de privacidade exigidos pela União Européia. Esses padrões determinam que ninguém pode vender, alugar ou transferir dados dos consumidores para terceiros, sem a permissão expressa do indivíduo. Essa diretiva aplica-se às informações de consumidores e também abrange as informações dos funcionários contidas nos sistemas de recursos humanos internos das empresas.

Em maio de 2000, foi decretado o Safe Harbor Agreement (Acordo de "Porto Seguro") para empresas norte-americanas regulamentadas pelo FTC (Federal Trade Commission) que tenham operações na União Européia. Esse acordo permite que as empresas fiquem em conformidade com a Diretiva Européia de Proteção de Dados (European Data Protection Directive) ao adotar os Princípios do Acordo de Porto Seguro (Safe Harbor Agreement Principles).

Esses princípios exigem controles para garantir que as informações pessoais sejam protegidas contra perda, mau uso, acesso não-autorizado, compartilhamento e afins como condição para obter o certificado. As empresas certificadas pelo Safe Harbor Agreement podem obter permissão para transferir dados para fora da União Européia por períodos renováveis a cada ano. Pode-se dizer, com certeza, que outros países adotarão legislação similar para proteger a privacidade das informações de consumidores para seus cidadãos.

Uma consideração importante de ser lembrada aos executivos de negócios é que as leis e regulamentações são geralmente criadas em cada um dos países e o comércio eletrônico é realizado globalmente. No momento em que a Internet é usada para conduzir os negócios, sua empresa faz parte do comércio mundial. Isso gera grandes vantagens de poder oferecer seus produtos e serviços globalmente; entretanto, você também precisa estar em conformidade com as regulamentações locais. Não se pode dizer que essas regulamentações sejam consistentes, e é bem possível que você se encontre em situações de conflito com uma regulamentação ao cumprir uma outra. O Safe Harbor Agreement é um exemplo de que os EUA estão negociando um acordo com a União Européia para atender a essas regulamentações. Outros países seguirão estratégias similares para assegurar que suas indústrias sejam competitivas e que possam operar livremente em grandes mercados como a União Européia.

Um grande desafio é o descaso com que certos países tratam a proteção de informações pessoais ou propriedade intelectual. Talvez porque sejam pressionados por outros problemas, como alimentos e medicamentos, não podem policiar indivíduos envolvidos em atividades como pirataria de software. Esses criminosos operam livremente nesses países sem medo de que órgãos de cumprimento das leis fechem seus negócios. Esses lugares, considerados paraísos para criminosos cibernéticos, representam desafios adicionais para as empresas legítimas que tenham poucos recursos legais para combater as atividades ilícitas dos softwares piratas.

A menos que os executivos criem estratégias para proteger sua propriedade intelectual e informações dos consumidores, eles correm o risco de cair nas garras desses indivíduos.

Funcionários remotos e computação sem fio
A chegada dos dispositivos de computação móvel teve um grande impacto no nosso dia-a-dia. As comunicações sem fio não exigem mais que funcionários e consumidores dependam de linhas telefônicas para se comunicar. A procura de uma cabine telefônica para fazer uma ligação ou ir para o escritório para acessar seus e-mails está se tornando coisa do passado. A disponibilidade de informações e comunicações aumentou muito graças aos dispositivos de computação móveis. Com a conveniência oferecida por esses dispositivos, as preocupações com a segurança da informação aumenta, pois as informações confidenciais neles armazenadas devem ser protegidas.

No passado, os funcionários usavam um computador no escritório para fins profissionais e outro em casa, para uso pessoal. Agora isso mudou, e o número de computadores móveis agora supera o número de computadores do tipo desktop, que ficam no trabalho ou em casa. Os notebooks permitem que os funcionários trabalhem a qualquer hora, de qualquer lugar. Os dispositivos de computação pessoais para guardar informações de nome, endereço e telefone não estão mais restritos aos profissionais de negócios, pois agora até mesmo adolescentes controlam essas informações usando dispositivos móveis.

A introdução dos protocolos 802.11 para redes locais sem fio em 1999 revolucionou a indústria da computação móvel. Os protocolos 802.11 equivalem a uma “linguagem” comum que permite aos dispositivos móveis comunicarem-se. Os adaptadores sem fio que usam os protocolos 802.11 estão disponíveis para os dispositivos móveis. Em algumas áreas, os provedores sem fio começaram a oferecer acesso à Internet de alta velocidade sem necessidade de linhas telefônicas ou uma conexão de cabo. O acesso à Internet, o envio de e-mails e a conexão à rede da empresa agora podem ser feitos de casa, do jardim, ou do seu parque favorito.

O desafio, do ponto de vista da segurança, dobrou: primeiro, toda a proteção oferecida no escritório da empresa agora deve ser incorporada no notebook ou dispositivo móvel; segundo, os protocolos 802.11 têm parcos recursos de segurança. Dentro da empresa, os funcionários podem aproveitar a proteção de segurança como firewalls e software antivírus. Esses produtos podem ser configurados para execução em segundo plano, e os funcionários não percebem que estão continuamente protegidos contra ameaças como vírus de computador. Quando os funcionários saem do escritório, a mesma proteção deve ser incluída nos notebooks ou dispositivos handheld para garantir que continuem a operar de forma protegida e segura. Além da falta de informações sobre as ferramentas de segurança, os dispositivos móveis de conteúdo de propriedade intelectual, informações de consumidores e outros dados confidenciais valiosos, também correm o risco de perda ou roubo.

As novas tecnologias muitas vezes se concentram em recursos e funções em detrimento da segurança para penetrarem em massa no mercado e serem facilmente adotadas. Esse é o caso do protocolo 802.11, ou seja, as pessoas físicas adotaram essa tecnologia e não estão preocupados se há alguém lendo seus e-mails ou obtendo acesso à sua agenda pessoal de endereços e telefones. As empresas, por outro lado, não podem correr esse risco pois os sistemas empresariais contêm registros vitais da empresa que poderiam interromper suas operações caso fossem divulgadas a terceiros, sem autorização. As empresas devem considerar cuidadosamente o uso de tecnologias sem fio em seus principais negócios.

Esses riscos de segurança da informação incluem todos os dispositivos móveis como telefones celulares e assistentes pessoais digitais que contêm informações valiosas. Em conseqüência, as empresas precisam garantir que seu programa de segurança da informação se estenda a todos os dispositivos que saem do escritório, podendo ser roubados ou perdidos. Elas não podem mais contar com a segurança de que os computadores ficarão trancados no escritório após o fim do expediente. A comunicação sem fio oferece muito mais vantagens sobre as comunicações com fio tradicionais, mas deve haver controles para assegurar que os segredos mais valiosos da empresa estejam seguros.

Resumo
A Internet é uma ferramenta poderosa para as empresas atuais, e é importante entender os riscos de segurança que essa tecnologia apresenta. A Internet foi criada com base em comunicações onipresentes entre partes confiáveis que não existem mais atualmente, agora que o número de usuários está em centenas de milhões. As empresas devem considerar esses grandes desafios atuais ao usar a Internet, e este capítulo oferece algumas idéias sobre a importância de incluir a segurança da informação nas estratégias futuras dos negócios.

Esses riscos não deixarão de existir e as empresas mais bem-sucedidas adotarão estratégias para minimizá-los, oferecendo soluções exclusivas aos seus clientes. A segurança da informação pode ser usada como um diferencial na estratégia, especialmente em uma economia globalizada em que mais negócios são conduzidos eletronicamente. Os sistemas seguros das empresas são uma ferramenta de vendas decisiva para consumidores cada vez mais experientes e cuidadosos. É muito melhor incorporar alguns princípios básicos de segurança da informação em suas operações comerciais do que ter que delegar essas atividades ao departamento de TI e esperar que sejam adequadamente resolvidas.

Sobre os autores
Mark Egan é diretor de informática e vice-presidente de tecnologia da informação da Symantec. Ele é responsável pela gerência dos sistemas internos de negócios da Symantec, infra-estrutura computacional e programa de segurança da informação. Egan foi o principal responsável pela rápida transformação dos sistemas de informações internas da Symantec nos últimos quatro anos, quando a empresa cresceu e se tornou líder em segurança na Internet.

Ele tem mais de 25 anos de experiência em tecnologia da informação em diversas indústrias. Antes de trabalhar na Symantec, ele passou por diversos cargos sêniores em empresas como Sun Microsystems, Price Waterhouse, Atlantic Richfield Corp., Martin Marietta Data Systems e Wells Fargo Bank.

Egan é membro do American Management Association's Information Systems and Technology Council (Conselho de Sistemas e Tecnologia da Informação da Associação Norte-americana de Gerenciamento) e presta serviços no conselho de diretoria técnica da Golden Gate University. Ele também co-preside a Cyber Security Practices Adoption Campaign (Campanha para a Adoção de Práticas de Segurança Cibernética) da TechNet.

Tim Mather é o consultor sênior em segurança da informação da Symantec e possui os certificados CISSP (Certified Information Systems Security Professional) e CISM (Certified Information Systems Manager). Como consultor sênior em segurança da informação, ele é o responsável pelo desenvolvimento de todas as políticas de segurança dos sistemas de informação, supervisiona a implementação de todos os procedimentos e políticas relacionadas à segurança e todas as atividades relacionadas à auditoria de sistemas de informação. Ele também acompanha de perto os grupos de produtos internos para assegurar as capacidades de segurança dos produtos da Symantec.

Antes de entrar na Symantec em setembro de 1999, Mather foi o diretor de segurança da VeriSign. Além disso, também foi o diretor de segurança dos sistemas de informação da Apple Computer. Sua experiência ainda conta com sete anos em Washington, DC, trabalhando com comunicações protegidas para um projeto confidencial de comando, controle, comunicações e investigação nacional (C3I), que envolvia os departamentos e órgãos civis e militares.

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