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Uma Atualização sobre a Segurança Wireless

ID do Artigo: 4708
Publicado no Brasil em 15 de dezembro de 2004
Introdução
Situação atual
Segurança ainda é a questão principal
Um cenário de ameaças em desenvolvimento
Melhores práticas
Conclusão
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A implementação de redes locais wireless (sem fio) nas empresas tem sido motivo de constante preocupação nos últimos anos. Os aprimoramentos mais recentes indicam que as questões de segurança relacionadas às redes wireless serão finalmente abordadas. Sem dúvida, os analistas do mercado dizem que a segurança wireless aprimorada vai ajudar empresas a se sentirem mais confiantes em implementar o “Wi-Fi” (Wireless Fidelity, termo referente a redes wireless do padrão 802.11) nos próximos meses. Este artigo analisa o presente estado da segurança das redes locais wireless, o cenário das ameaças atuais e o que as empresas podem fazer para instalar redes locais wireless com segurança.

Situação atual
No mês de julho de 2004, o IEEE (Institute for Electrical and Electronics Engineers, Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos) ratificou a emenda 802.11i para o padrão 802.11, há muito esperada pelo mercado. Muitos analistas disseram que o padrão 802.11i era exatamente o que faltava para estimular implementações seguras de redes wireless nas empresas.

No começo do mês passado, a Wi-Fi Alliance, uma associação de fornecedores que não fazem parte do comitê do padrão 802.11i, certificou os primeiros produtos que oferecem suporte ao recurso WPA2 (Wi-Fi Protected Access 2, que é uma evolução do padrão WPA, sendo este um protocolo de segurança para redes wireless). O WPA2 é considerado equivalente ao 802.11i, no qual é baseado. Os produtos certificados para WPA2 têm base no padrão 802.11i e empregam os elementos obrigatórios desse padrão.

De acordo com a Wi-Fi Alliance, o padrão 802.11i é considerado um grande avanço nos padrões de segurança wireless existentes como o WEP (Wired Equivalent Privacy, que é um protocolo de segurança), extremamente vulnerável a hackers. Richard Clarke, ex-Consultor-mor de segurança no ciberespaço da Casa Branca, criticou severamente as falhas do WEP em instalações federais de redes locais wireless (nos EUA).

De acordo com o Synergy Research Group, a venda mundial de produtos para redes locais wireless em ambientes domésticos e pequenos escritórios em 2003 chegou a US$ 1,3 bilhão (cerca de 60% do mercado), enquanto que a venda de redes locais wireless empresariais chegou a US$ 900 milhões. Com a incorporação do padrão 802.11i de segurança nos próximos dois anos, os analistas esperam que haja um avanço significativo na segurança de redes wireless.

O padrão 802.11i inclui AES (Advanced Encryption Standard, Padrão de Criptografia Avançada), que oferece suporte a chaves de 128, 192 e 256 bits. O AES é um formato de criptografia encontrado no WPA atual e é o padrão de segurança das redes wireless que transmitem informações do governo norte-americano. A especificação 802.11i garante que os dados enviados por essas redes sejam criptografados e não sejam violados por nenhum tipo de interceptação.

A Wi-Fi Alliance é responsável pelos testes de interoperabilidade de produtos com a criptografia AES, mas por enquanto não faz testes de interoperabilidade com todas as abordagens de autenticação, incluindo aquelas oferecidas por diversos fornecedores. Os analistas dizem que isso pode trazer problemas para algumas empresas que planejam implementar sistemas de diversos fornecedores.

Segurança ainda é a questão principal
Embora o padrão 802.11i prometa um desenvolvimento rápido de produtos wireless e um estímulo para as implementações de redes locais wireless, a segurança dessas redes nas empresas ainda precisa ser impulsionada por políticas de segurança atualizadas que tratam de demandas exclusivas do local de trabalho móvel, de acordo com pesquisas da Gartner.

Na verdade, a Gartner prevê que 70% dos ataques bem-sucedidos a redes locais wireless em 2006 acontecerão devido à má configuração dos pontos de acesso e dos softwares-clientes.

Durante o I.T. Security Summit 2004, em Washington, no último mês de junho, os representantes da Gartner enfatizaram que as empresas devem assegurar que os pontos de acesso wireless sejam configurados de forma segura e não sejam instalados na rede sem a devida autorização. Em ambientes congestionados, como áreas urbanas ou edifícios comerciais com diversos inquilinos, as empresas também devem cuidar para que seus colaboradores não acessem as redes das empresas vizinhas.

Um cenário de ameaças em desenvolvimento
Tudo isso está ocorrendo ao mesmo tempo em que o cenário de ameaças continua a se desenvolver. Atualmente, as ameaças combinadas, como o Blaster e o Sobig.F, são cada vez mais sofisticadas. Elas reúnem características de vírus, worms, Cavalos de Tróia e códigos maliciosos, e valem-se da vulnerabilidade dos desktops, servidores e gateways para realizar os ataques. A prevenção dessas ameaças é difícil porque elas são criadas para iludir produtos de segurança normalmente implementados em todas as empresas atuais. MyDoom, Netsky e Sasser também estão entre as ameaças combinadas mais recentes.

Essas ameaças são totalmente diferentes dos vírus e worms tradicionais, principalmente na velocidade em que se propagam. Por exemplo, o worm Slammer de 2003 infectou os computadores do mundo inteiro em apenas 10 minutos. As diferenças desses ataques consistem na intenção em causar danos, no uso de diversos caminhos de infecção e na maneira eficiente com que se propagam descobrindo e explorando a interoperabilidade da segurança do produto e as vulnerabilidades da rede.

Traduzindo em números: em 2003, a Symantec documentou 2.636 novas vulnerabilidades, uma média de sete por dia. Dessas novas vulnerabilidades, 80% eram exploráveis remotamente e 70% eram facilmente exploráveis. Até agora, o ano de 2004 parece estar seguindo o mesmo caminho. De acordo com a última edição do Relatório de Ameaças à Segurança da Internet, nos primeiros seis meses de 2004, a Symantec documentou 1.237 novas vulnerabilidades, 70% das quais eram facilmente exploráveis.

Além disso, o período de tempo entre o anúncio de uma vulnerabilidade e o lançamento de uma exploração a ela associada está cada vez mais curto, aumentando a probabilidade de que veremos, em breve, a tão temida ameaça de “dia zero”. Uma ameaça combinada de “dia zero” pode ter uma vulnerabilidade como alvo antes mesmo que ela seja anunciada, e sua correção, disponibilizada.

Uma análise das ameaças recentes confirma as profundas mudanças que testemunhamos. Antes das epidemias de worms em agosto de 2003, as explorações eram geralmente lançadas meses (ou até mesmo anos) após o anúncio de uma vulnerabilidade. Esse período entre o anúncio e a exploração está encurtando rapidamente. No ano passado, o worm Blaster usou uma falha conhecida da Microsoft anunciada apenas 26 dias antes. O recente worm Sasser, que passou a se espalhar globalmente em 1º de maio, explorou uma falha em um componente do sistema operacional Windows para o qual a Microsoft lançou uma correção em 13 de abril. O Relatório de Ameaças mais recente mostra que o tempo médio entre o anúncio de uma vulnerabilidade e o lançamento de uma exploração a ela associada é de apenas 5,8 dias.

Melhores práticas
Diante do cenário de ameaças atual, a Symantec acredita que o caminho para se promover um ambiente de trabalho wireless seguro é adotar um conjunto detalhado de “melhores práticas”. É aconselhável que as empresas:

  • Estabeleçam e reforcem a segurança em laptops e criem um programa de conscientização
  • Garantam a capacidade de centralizar o gerenciamento de implementação, atualização e resposta de segurança
  • Garantam que todas as configurações de segurança sejam mantidas e controladas centralmente
  • Implementem atualizações convenientes e automáticas
  • Implementem uma tecnologia que possa detectar e bloquear ameaças conhecidas e desconhecidas
  • Obtenham avisos antecipados de ameaças para uma rápida mitigação
  • Mantenham os sistemas operacionais atualizados

Conclusão
A Symantec acredita que chegamos a um ponto crítico, já que as ameaças mais recentes espalham-se mais rapidamente do que a nossa habilidade de contra-ataque. Além disso, essas ameaças estão criando sérios riscos às empresas, envolvendo perdas diretas e indiretas.

Apesar do progresso no desenvolvimento da próxima geração de padrões de segurança das redes locais wireless, as empresas devem continuar a tomar medidas para assegurar que seus programas de segurança em redes locais wireless sejam efetivos. A proteção dinâmica e abrangente do cliente e do gateway é essencial para o número crescente de empresas “sem fio”.

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