Computação
Segura nas Escolas
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Introdução
Não há dúvidas de que hoje
as escolas estão mais informatizadas do que nunca,
e de que muitos estudantes já ultrapassaram seus
pais e professores com relação a conhecimentos
da Internet. Um relatório publicado no ano passado
pelo National Center for Education Statistics determinou
que 99% das escolas de ensino pré-primário
até o ensino elementar nos Estados Unidos estão
conectadas à Internet, com 94% desses computadores
contando com conexões banda larga de alta velocidade.
A disponibilidade de computadores nas salas de aula
também vem crescendo, com um índice entre
86 e 96% das escolas públicas (dependendo do
tamanho da cidade) contando com computadores em salas
de instrução, com uma média de
um computador para cada cinco estudantes. A introdução
da tecnologia da Internet às salas de aula traz
muitos benefícios, porém nada terá
valor se os usuários estiverem mal informados
e a tecnologia desprotegida.
Preocupações
com a segurança nas escolas
A segurança da tecnologia em escolas deveria
ser abordada da mesma forma que uma empresa abordaria
tal problema. Da mesma maneira como as empresas armazenam
informações de clientes e dados financeiros,
as redes de escolas também mantêm informações
importantes, que podem incluir registros detalhados
de estudantes, contendo endereços e números
da previdência social, além dos registros
de notas, o que pode ser uma tentação
para os alunos. Ao mesmo tempo, os ataques à
Internet têm se tornado mais sofisticados, enquanto
que o conhecimento necessário para iniciar um
ataque ou violar uma rede é cada vez menor, devido
às ferramentas de ataques e às informações
facilmente disponíveis na Internet. Essas ferramentas
podem ser facilmente utilizadas por qualquer pessoa
curiosa ou maliciosa o suficiente para tirar vantagem
delas.
As redes escolares também precisam de proteção
contra ameaças internas e externas. Em vários
casos, as violações de segurança
podem ser um resultado da falta de conhecimento dos
usuários sobre as práticas de segurança
da informática. Em outros casos, são os
estudantes que tentam violar os servidores e PCs das
escolas.
Ameaças internas
Se o hacker for um aluno, o simples acesso a um computador
da escola por trás do firewall oferecerá
a oportunidade de inserir e espalhar um vírus,
um worm ou outro código malicioso. Alunos curiosos
e com esse mesmo acesso podem potencialmente obter alcance
a arquivos que contenham informações importantes,
onde eles possam, por exemplo, visualizar e/ou alterar
notas.
Várias escolas vêm cada vez mais permitindo
que os alunos levem para casa notebooks. Com freqüência,
os professores também levam para casa notebooks
que pertencem à escola para trabalhar à
noite ou em fins de semana. Porém, sem o conhecimento
e os dispositivos de segurança adequados, essas
práticas podem colocar em risco a rede da escola.
Potencialmente, um vírus pode entrar no notebook
a partir da rede doméstica do usuário,
e quando esse notebook for levado de volta à
escola e conectado à rede escolar, esse vírus
pode se propagar. Outra ameaça pode ser introduzida
quando professores e alunos utilizam o mesmo disco na
escola e em computadores domésticos; se o disco
for infectado com um vírus, ele pode ser passado
de um computador para o outro.
Ameaças externas
As vulnerabilidades em software representam um risco,
se não forem corrigidas rapidamente. O tempo
entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a exploração
desta brecha de segurança por um hacker vem diminuindo.
Ainda assim, o número um em ameaças de
segurança externa é o vírus, e
os vírus de hoje se propagam muito rapidamente.
O aumento das ameaças combinadas, ataques que
penetram na rede através de diferentes formas
e podem explorar várias vulnerabilidades, representa
um enorme risco a qualquer rede conectada à Internet.
A única forma de proteção contra
as ameaças combinadas é o emprego de uma
estratégia de segurança de “defesa
total”, o que abordaremos na próxima seção.
Usuários mal instruídos podem se tornar
presas do crescente número de vírus que
vem se propagando através do uso de táticas
de engenharia social. Um e-mail sobre a Britney Spears
pode parecer inofensivo e atraente a um estudante, que
acabará atendendo à intenção
do criador do vírus, ao abrir o e-mail e seu
anexo, propagando o vírus em toda a rede da escola.
Apesar dessa ameaça proceder de uma fonte externa,
foi um usuário interno que a propagou, o que
é muito comum, graças aos inteligentes
vírus enviados sob a forma de um e-mail aparentemente
legítimo, que finge ser de origem conhecida,
com uma linha de assunto atraente.
Defesa total
Simplesmente não há uma receita que seja
adequada para todos, que proteja uma rede escolar contra
as ameaças internas e externas que existem nos
ambientes atuais, altamente voláteis. A proteção
mais abrangente é a aplicação de
uma estratégia de defesa total. A defesa total
envolve a criação de várias camadas
de tecnologias de segurança complementares em
volta de computadores e dados importantes em estações,
gateways e servidores. As múltiplas camadas impedem
que o comprometimento de um nível cause o comprometimento
geral de toda a rede.
Por exemplo, firewalls e software antivírus
podem proteger a rede contra ameaças que entram
no gateway, porém são necessários
controles adicionais para proteger contra ações
não autorizadas de usuários internos.
O software de filtragem de conteúdo adiciona
uma camada extra ao programa de segurança para
impedir que os usuários acessem qualquer conteúdo
da Web não apropriado. Detecção
e prevenção de intrusões devem
também ser usadas para detectar alterações
suspeitas feitas ao sistema ou outros comportamentos
anormais na rede.
Atenção especial deve também ser
prestada aos PCs de professores que contêm dados
importantes e estão localizados em áreas
acessíveis pelos alunos, como as salas de aula.
Controles de segurança devem ser instalados em
todos os computadores acessíveis pelos alunos,
começando com uma sólida base de controles
de autenticação, autorização
e contabilidade (AAA - authentication, authorization
and accounting). Por exemplo, no mínimo, IDs
e senhas de usuários devem ser requisitadas para
obter acesso a cada PC. Para completar a segurança
das estações, antivírus, firewall
e detecção de intrusões devem ser
instalados em todos os computadores, independente de
estarem ou não sempre conectados à rede
escolar, ou se professores e alunos os utilizam ocasionalmente
fora da rede.
Porém, a tecnologia de segurança é
somente um nível, e um plano de segurança
completo deverá incluir também o conhecimento
dos usuários sobre as suas funções
na segurança da rede.
Política de uso
A propagação do uso de computadores conectados
à Internet requer que os administradores, bibliotecários,
professores, alunos e pais garantam que seu uso seja
apropriado e de forma segura. Um programa de segurança
de TI inclui o conhecimento e suporte dos usuários,
para a redução de riscos. A divulgação
de políticas e procedimentos formam a base de
uma computação segura. Os usuários
devem estar bem informados; do contrário, podem
se tornar a fonte indesejável de uma quebra de
segurança.
Uma forma de fornecer parâmetros para o uso seguro
da Internet em escolas é a criação
de uma Política de uso, um contrato por escrito,
na forma de diretrizes, assinado pelos alunos, pais
e professores, destacando os termos e condições
de uso da Internet, regras de comportamento on-line
e privilégios de acesso.
Abaixo estão alguns componentes típicos
de uma Política de uso:
- Descrição do que constitui um
uso aceitável e inaceitável da Internet,
por exemplo, download de arquivos, uso de mensagens
instantâneas, etc.;
- Declaração das utilidades e vantagens
educacionais do uso da Internet na sala de aula;
- As estratégias e filosofias institucionais
que devem ser suportadas pelo acesso à Internet;
- Práticas seguras de computação,
quando computadores e discos de propriedade da escola
forem retirados dela;
- Responsabilidades para professores, pais e
alunos para com o uso da Internet; isso pode incluir
práticas seguras de computação,
como manter a privacidade das senhas, não abrir
anexos de e-mail desconhecidos, a quem informar no caso
de qualquer problema de segurança em potencial,
etc.;
- Lembrete de que o acesso à Internet
e o uso de redes de computadores são privilégios
e não um direito;
- As conseqüências da violação
das políticas;
- Formulário de concessão e isenção
de responsabilidades para professores, pais e alunos,
indicando suas intenções de concordar
com a política.
Essas políticas devem ser discutidas em casa
e nas salas de aula, para que todos aqueles que assinem
o formulário entendam o impacto que suas ações
podem causar na segurança da rede escolar.
Conclusão
A implementação da defesa total é
importante para as redes escolares no ambiente atual
de ameaças da Internet, empregando camadas de
segurança desde o servidor até os computadores
individuais, para atingir uma proteção
abrangente. Mas lembre-se: é necessário
que apenas um usuário descuidado ou mal informado
cometa um erro para que toda a rede se torne vulnerável.
Por isso, a tecnologia da segurança deve ser
complementada por um documento escrito, determinando
as Políticas de uso. O uso de computadores conectados
à Internet em salas de aula pode trazer grandes
contribuições para os objetivos de ensino
e aprendizagem das escolas primárias, desde que
sejam tomadas providências dinâmicas para
proteger a tecnologia e educar os usuários.
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