Controles
de TI e Segurança de Informações
Por Bruce Moulton
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Para que seja efetivo, o controle de TI deve incluir
a supervisão e a proteção dos controles
de segurança. Este artigo aborda as razões
por que as instituições financeiras devem
considerar a promoção de uma cultura de “monitoração
operacional”.
Introdução
Poucas palavras são usadas tão livremente
nos círculos financeiros atuais quanto “controle”.
Se pensarmos bem, nenhuma discussão sobre os
escândalos corporativos recentes deixa de citar
a falta de um “controle adequado” nas várias
empresas mencionadas. Mas o que querem mesmo dizer
sobre controle é quase sempre um pouco vago.
O mesmo pode ser dito sobre o controle de TI, o foco
principal deste artigo; com freqüência esse
assunto é tratado sem a importância que
merece. Como foi observado por um pesquisador da Gartner
Inc, poucas expressões provocam tanta confusão:
“Em um período de tempo extremamente
curto, a expressão ‘controle’ tem
sido amplamente utilizada com relação à conformidade,
auditoria, políticas, decisões, padrões,
portfólio de serviços, investimentos,
opções de recursos, funções
e responsabilidades do gerenciamento. Em outras palavras,
tem se tornado uma expressão usada para quase
todos os problemas ou atividades no mundo de negócios
e no gerenciamento de TI.”
Apesar da confusão sobre a definição
de “controle” prevalecer, eu afirmaria
que, apesar do controle de TI ser muito importante,
ele tem atingido um nível de importância
muito mais alto do que o necessário, devido
em parte ao clima regulamentar atual. E além
disso, na minha opinião, o controle de TI não
pode ser efetivo, a menos que inclua a supervisão
e a proteção dos controles de segurança
das informações.
‘Considere realizado
o que foi avaliado’
Apesar de haver várias definições
para o controle de TI, penso que podemos concordar
com a proposta do Governance Institute que, basicamente,
determina dois pontos: “Adição
das vantagens de TI à empresa e mitigação
dos riscos de TI. O primeiro é conseqüência
do alinhamento estratégico de TI com a empresa.
O segundo resulta da incorporação da
responsabilidade dentro da empresa. Ambos precisam
ser suportados por recursos adequados e avaliados para
garantir que os resultados sejam obtidos.”
A palavra-chave aqui é “avaliado” e
agora explicarei o porquê. É muito útil,
apesar de simples, pensar em controle de TI como um
sistema de loop fechado (ou o que alguns chamam de “ciclo
contínuo da vida”). Quando uma empresa
alinha a TI com os negócios, ela começa
por definir um comportamento desejado, ou a “forma
como as coisas devem ser”. Em seguida, ela implementa
essa estratégia com seus funcionários,
processos e tecnologias. Como a empresa pode garantir
que a implementação está produzindo
o comportamento desejado? O ditado “Considere
realizado o que foi avaliado” é bastante
aplicável neste caso. O contrário também
se aplica: “O que não foi avaliado, provavelmente
não foi realizado.” Desta forma, a implementação
de qualquer estratégia importante deve ser monitorada
regularmente (alguns recomendam monitoração
contínua), para garantir que o resultado desejado
está sendo obtido. Como última medida,
a empresa fecha o loop, atuando de acordo com os resultados
da monitoração. Ou os resultados da adoção
são registrados para o relatório de gerenciamento,
ou os controles são alterados para atingir os
objetivos, ou ainda os objetivos em si são alterados.
Como todos os profissionais de segurança de
informações já sabem, a monitoração
e avaliação estão (ou devem estar)
no centro de tudo o que fazemos. Isto ocorre porque
os controles podem se deteriorar com o tempo ou nem
sempre são implementados como deveriam. Um sistema
de gerenciamento de segurança corporativa permite
que as empresas definam, avaliem e façam relatórios
sobre a compatibilidade dos sistemas de segurança,
as políticas de segurança corporativas
predefinidas ou as regulamentações do
governo. E o que funciona para a monitoração
de segurança funciona também para a monitoração
de riscos operacionais, pois a segurança é um
dos principais componentes de risco em uma empresa.
Isso é hoje mais importante do que nunca, como
mostra esta breve descrição da paisagem
regulamentar.
Uma paisagem de desafios
Considere os seguintes desenvolvimentos regulamentares
recentes, cada um dos quais batendo em uma “tecla
da responsabilidade”:
- O Sarbanes-Oxley Act de 2002 requer que os
executivos seniores de quase todas as empresas relacionadas
nas bolsas de valores dos Estados Unidos verifiquem
seus controles internos e certifiquem a precisão
de suas declarações financeiras. A segurança
das informações está emergindo
como uma base imprescindível para a conformidade
e, sem medidas de segurança adequadas, as empresas
não podem fechar seus livros contábeis
ou seus controles internos.
- O Basel II Accord, que será publicado
em breve, considera explicitamente os riscos operacionais
dentro dos cálculos do total de requisitos de
capital. E o faz com um importante detalhe: quanto
mais eficiente for o esforço de gerenciamento
dos riscos operacionais de uma instituição,
menos capital será necessário poupar
para emergências. Espera-se que as instituições
desenvolvam uma infra-estrutura que avalie e quantifique
os riscos operacionais, e essa avaliação
deve incluir os elementos de risco das informações
como variáveis explícitas.
- Como mostram outras leis e regulamentações
recentes, desde o Gramm-Leach-Bliley Act até o
Security Breach Information Act da Califórnia,
a sociedade está legislando várias expectativas
de segurança das informações para
as organizações (tanto públicas
como privadas). Os gerentes que não avaliam
a conformidade de suas empresas se expõem a
uma variedade de “surpresas” desagradáveis.
Como observou o Robert Frances Group: “as diretivas
de controle corporativo estão refletidas na
legislação recente. Apesar da legislação
não abordar os problemas de tecnologia em si,
toda diretiva corporativa terá um forte efeito
em TI. Além disso, numa época em que
a tecnologia é crucial para as empresas, o controle
corporativo fica incompleto sem o controle de TI adequado.”
Promovendo uma cultura de ‘monitoração
operacional’
Há algum tempo, na época do Basel II
Accord, escrevi um artigo
sobre a “cultura
de risco”(em inglês), e essa
mesma idéia aparece de forma evidente em recentes
artigos COSO (Committee
of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission)
sobre o gerenciamento de riscos corporativos. Uma “cultura
de risco” implementa a idéia de que o
gerenciamento de riscos deve ser um elemento natural,
integrado aos processos operacionais diários,
e não um processo “externo” que
controla os processos operacionais (como uma cultura
informal, do tipo “te peguei”). O gerenciamento
de riscos para as informações devem,
de preferência, ser abordados dessa maneira.
Através da promoção e documentação
de uma cultura de risco, a segurança das informações
pode ajudar as instituições financeiras
a navegar no ambiente altamente volátil dos
dias de hoje, onde produtos novos e extremamente complexos
se proliferam, transações bancárias
on-line aumentam, assim como a demanda para sistemas
integrados globalmente, e a responsabilidade por regulamentações
também cresce.
De forma semelhante, mas ainda com relação
ao controle de TI, eu insisto que há uma grande
necessidade de promover uma cultura de “monitoração
operacional”. Acredito que tal cultura seja um
elemento essencial do quadro de controle de TI. E o
que isso envolve?
Uma cultura de monitoração operacional
(COSO se referiu recentemente a isto como “monitoração
constante”) abomina a prática da obtenção
de conformidade através de “policiamento”.
Ao contrário, ela reconhece que aqueles responsáveis
pelas ações operacionais que causam impacto
na conformidade devem analisar seu próprio desempenho.
Eles devem saber, o tempo todo, se estão de
acordo com os requisitos. Eles estão se mantendo
dentro dos limites? Os auditores e coordenadores ainda
exercem uma função importante como supervisores,
porém um auditor não deve com muita freqüência “flagrar” gerentes
que não estejam cientes dos problemas de conformidade.
Além disso, se/quando um auditor tiver dúvidas,
deve haver explicações ou esforços
ativos para solucioná-las.
É interessante observar que a maioria das ações
operacionais que podem causar impacto na postura de
segurança das informações são
executadas por recursos não dedicados à segurança.
Isso quer dizer que, em uma cultura de risco, a maioria
das monitorações dos controles de segurança
das informações será feita por
grupos como os de operações de computadores
ou operações de rede.
Mas como efetivar tal cultura?
Não esconderei a verdade: não é nada
fácil. Apesar da monitoração e
avaliação assíduas serem essenciais
para um controle efetivo de TI, temos que reconhecer
que nem tudo é preto no branco. Existem áreas
dentro de qualquer empresa que não podem ser
avaliadas precisamente. Qualquer profissional da segurança
de informações sabe o que eu quero dizer.
Existem circunstâncias em que podemos contar
somente com o nosso bom senso. Mas o que pode ser avaliado,
deve ser avaliado.
Primeiro, a adoção de estruturas de
controles internos amplamente aceitas, controles de
TI ou controles de segurança das informações
pode dar credibilidade aos processos, tecnologias e
controles, necessários para suportar um ambiente
de segurança das informações.
Hoje em dia, estruturas como o COSO, COBIT (Control
Objectives for Information and related Technology -
Objetivos de Controle para Informações
e Tecnologias Relacionadas), ITIL (Information
Technology Infrastructure Library, Biblioteca de Infra-estruturas
de Tecnologia da Informação), e ISO 17799
são vastas e abrangentes, e já atingiram
o status de “amplamente aceitas”.
Porém, o maior desafio da cultura de risco
que o CISO enfrenta é convencer os gerentes
comerciais seniores de que todos eles devem ter objetivos
com relação à segurança,
e que cada um deles deve avaliar o seu desempenho de
acordo com esses objetivos. Essa persuasão pode
ser simples, se a conexão entre bons controles
de segurança e operações confiáveis
puderem ser destacadas. O sucesso do objetivo da cultura
de risco poderá depender também de ferramentas
que automatizem a avaliação e geração
de relatórios relevantes. Se esse processo obtiver
sucesso, todos, incluindo o administrador de sistema
mais júnior da empresa, se tornarão parte
da equipe de segurança, e a cultura de monitoração
operacional terá raízes fortes e profundas.
Conclusão
O interesse no controle de TI está sempre em
alta, e não é difícil de entender
o porquê. De acordo com o livro “IT Governance:
How Top Performers Manage IT Decision Rights for Superior
Results” (Harvard Business School Press, Outono
de 2004), as empresas com controles de TI superiores
atingem mais de 25% de lucros a mais do que empresas
com controles de TI precários. O livro, baseado
em um estudo de 250 empresas em todo o mundo, detectou
que empresas com controles acima da média tiveram
retornos duas vezes maiores do que as empresas com
controles precários.
Instituições financeiras, que precisam
estar em conformidade com uma variedade de leis e regulamentações
novas e existentes, poderiam se beneficiar muito de
um aprimoramento dos seus esforços para o controle
de TI, se incluíssem controles de segurança
das informações no escopo de sua estratégia
de controle e promovessem uma cultura de monitoração
operacional.
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