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Os Fatos Sobre Phishing


ID do Artigo: 4445
27 de julho de 2004

Introdução
Criação de leis
Esforços para detectar fraudes em tempo real
A nova face dos cibercrimes
O que você pode fazer
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Quase todos os dias ouvimos falar de um novo esquema inteligente do tipo “phishing”. Esses sofisticados ataques utilizam e-mails fictícios (“spoofed”) e websites fraudulentos destinados a enganar os destinatários e fazer com que eles revelem dados financeiros pessoais, como números de cartão de crédito, nome de usuário e senha de contas, e números de previdência social. E as ocorrências desses ataques aumentam a cada dia.

De acordo com as estatísticas mais recentes do Anti-Phishing Working Group (Grupo de Trabalho contra Phishing), 1.197 novos ataques foram registrados em maio, um aumento de 6% em relação ao número de ataques em abril. O grupo atribuiu esse aumento relativamente pequeno a uma queda na atividade online devido ao feriado do Memorial Day nos Estados Unidos. Em comparação, os 1.125 ataques registrados em abril representam um aumento de 178% em relação ao mês anterior.

O grupo observou também que, nos sete meses durante os quais registrou ocorrências de phishing, o número de “alvos” de ataques foi significativamente reduzido. “Fica aparente”, afirmou o grupo, “que os responsáveis pelo phishing concentraram seus esforços no Citibank, eBay e Paypal”. Além disso, o grupo realizou uma análise dos ataques em maio, e apontou que 95% deles utilizaram endereços de e-mail fictícios (“spoofed”) ou falsos.

Criação de leis
Não é de se surpreender que a proliferação desses ataques tenha atraído a atenção dos legisladores.

Embora a lei sobre o roubo de identidade aprovada pelo presidente norte-americano George Bush no começo do mês inclua a prisão obrigatória daqueles que utilizem identidades roubadas para cometer crimes, a nova lei não condena o ato de phishing. O senador norte-americano Patrick Leahy deseja remediar isso. A lei Anti-Phishing de 2004 proposta por Patrick Leahy, introduzida este mês, tem como alvo o esquema inteiro, desde o envio do e-mail à criação de websites fraudulentos. Cada aspecto do ataque seria considerado uma contravenção sujeita a cinco anos de prisão e uma multa de até US$250 mil.

Alguns dos responsáveis por phishing são processados de acordo com as leis de fraude online e roubo de identidade, porém, em geral, esses processos ocorrem apenas após uma vítima ter sido enganada”, afirmou Leahy ao propor a lei de acordo com um relatório no internetnews.com. “Quando as pessoas não acreditarem mais que um website seja o que aparenta ser, elas não utilizarão a internet para transações seguras. Portanto, as leis atuais relacionadas ao roubo de identidade e fraudes online não são suficientes para deter os esquemas de phishing. [Essa legislação tornaria] ilegal o envio de e-mails fictícios que levassem a websites fraudulentos com a intenção de cometer um crime. Além disso, ela tornaria ilegais esses websites fraudulentos, que seriam o local em que o crime é realmente cometido.”

Esforços para detectar fraudes em tempo real
Os legisladores não são os únicos a tomar medidas de combate ao phishing. No mês passado, a MasterCard International juntou forças com um especialista em detecção de fraudes para lançar a sua nova iniciativa contra o roubo de identidades. Como parte dessa iniciativa, a MasterCard se esforçará para tentar “detectar fraudes online em tempo real à medida que se espalham pela Internet”.

Estamos enfrentando o roubo de identidade ao combatê-lo diretamente no local em que as fraudes de cartões de pagamento são criadas e lançadas”, afirmou Sergio Piñòn, vice-presidente sênior de Serviços de Segurança e Riscos Globais da MasterCard. “Ao identificar esses círculos de troca ilegal de número de cartões de crédito e ao trabalhar para fechar os mercados negros online de cartões de pagamento, bem como os websites criados especialmente para roubar informações pessoais, seremos capazes de deter a atividade ilegal antes que ela comprometa as contas de indivíduos”.

Com freqüência, os esquemas de phishing e outras formas de fraude são perpetuados por criminosos que compram e vendem números de cartão de crédito e outras informações pessoais através de fóruns online secretos.

A MasterCard se esforça para monitorar continuamente os nomes de domínio, páginas da web, discussões online, spam e outros meios online a fim de identificar círculos de venda de informações, ataques por meio de phishing e outros métodos de fraude online assim que são lançados.

Além disso, o parceiro da MasterCard nessa iniciativa irá rastrear na Internet os responsáveis por phishing e os entregará às autoridades competentes.

A nova face dos cibercrimes
Podemos dizer que essa seja a nova face dos crimes online. Hackers que antigamente buscavam notoriedade ao prejudicar um website popular, hoje em dia são motivados por um princípio mais mundano: dinheiro. E cada vez mais eles têm recebido o investimento necessário para criar novos tipos de fraudes. Como observou Richard Clarke, antigo conselheiro-mor de cibersegurança da Casa Branca, sobre os “bandidos” online atuais:

Em uma extremidade do espectro estão aqueles tentando se exibir. Com freqüência, são adolescentes fazendo o equivalente a ‘tirar um racha’ no ciberespaço. Entretanto, no próximo nível estão aqueles envolvidos em fraude e extorsão. No mundo todo, indivíduos têm se infiltrado em sistemas de países estrangeiros, descobrindo listas de clientes e ameaçando disponibilizar os nomes e os dados de cartão de crédito em websites públicos a menos que sejam pagos. Isso é pura chantagem e extorsão”.

E essas atividades ilegais têm se mostrado extremamente lucrativas. De acordo com um estudo recente conduzido pela organização de pesquisa Gartner Inc. (“Phishing Attack Victims Likely Targets for Identity Thefts”, abril de 2004), as tentativas ilegais de obter senhas, informações de cartão de crédito e outros dados pessoais causaram em 2003 um prejuízo de $1,2 bilhão de dólares aos bancos e instituições de cartão de crédito norte-americanas. A Gartner sugere que 57 milhões de adultos já sofreram ataques do tipo phishing, e que 1,78 milhão de adultos foi vítima desses ataques, fornecendo informações confidenciais pessoais.

Aparentemente, os agressores estão agora levando o ataque do tipo phishing para um outro nível. Em vez de contar somente com a ingenuidade de suas vítimas, os agressores estão também se aliando aos criadores de vírus para explorar as vulnerabilidades de software e plantar Cavalos de Tróia nos computadores-alvo.

Em maio, o jornal de tecnologia eWEEK relatou que uma mensagem de e-mail começara a circular com a finalidade de instalar um Cavalo de Tróia conhecido como Sepuc. O e-mail não apresenta uma linha de assunto, e não possui texto no corpo da mensagem. Quando o usuário abre a mensagem, o código oculto no e-mail tenta explorar uma vulnerabilidade conhecida do navegador Internet Explorer da Microsoft para forçar um download de um computador remoto. Em seguida, o arquivo faz o download de vários outros códigos, e eventualmente instala um Cavalo de Tróia capaz de coletar dados do PC e enviá-los a um computador remoto.

De acordo com a eWEEK, “O aspecto mais preocupante desse ataque é que, diferente de agressões anteriores, suas vítimas não estão cientes de estarem fazendo algo errado.”

O que você pode fazer
O que os usuários corporativos podem fazer para que não sejam vítimas de ataques do tipo phishing? Como regra geral, os especialistas em segurança são unânimes ao afirmar que os usuários devem, acima de tudo, ser extremamente cuidadosos ao fornecer informações financeiras pessoais via Internet. De fato, eles deveriam suspeitar de qualquer e-mail que contenha solicitações urgentes de fornecimento dessas informações. Para obter informações detalhadas, os usuários podem também consultar os recursos a seguir:

  • O Anti-Phishing Working Group (Grupo de Trabalho contra o Phishing) compilou uma lista de recomendações (em inglês) que pode ser usada como auxílio à prevenção contra fraudes desse tipo.
  • O APWG oferece também este conselho (em inglês) caso você já tenha fornecido informações financeiras pessoais.
  • O Federal Trade Commission (Comissão Federal de Comércio) fornece essas informações (em inglês) sobre como evitar essas fraudes.

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