Proteja-se de Ameaças Internas
Devido ao bombardeio de vírus nos últimos meses, é compreensível
que várias empresas de pequeno porte tenham como prioridade a preocupação
em proteger seus dados de ataques externos. Mas enquanto isso encoraja esforços
em reforçar a segurança externa para verificar seus negócios,
podem estar negligenciando um perigo oculto em sua própria casa: a ameaça
interna.
De acordo com o CERT (Computer Emergency Response Team) da Carnegie Mellon
University, uma “intrusão Interna” é qualquer infecção
de uma rede, sistema ou banco de dados que é executada por alguém
que tenha, ou costumava ter, acesso legítimo a essa rede, sistema
ou dados. Podem ser considerados internos os funcionários e ex-funcionários,
temporários, parceiros de negócios, consultores e prestadores
de serviços.
Qual a proporção do problema? A “2003
Computer Crime and Security Survey” (Pesquisa de segurança
e crime de computadores 2003) junto com o Computer Security Institute (Instituto
de Segurança
de Computadores) e o FBI descobriram que 62% dos entrevistados informaram
um incidente de segurança envolvendo pessoal interno, acima dos
57% em 2002. Entretanto, os executivos de TI presentes na última
reunião
de cúpula da segurança de TI da Gartner citaram que as ameaças
internas de funcionários e parceiros comerciais são as suas
principais preocupações.
Uma variedade de ameaças
Ameaças originadas dentro da empresa podem representar um alto custo,
pois o intruso possui acesso e informações sobre a
localização
dos dados vulneráveis e importantes.
As ameaças internas podem incluir uso indevido e abuso de ativos
importantes, dados vulneráveis e computação. Se
for um ato deliberado de sabotagem iniciado por um funcionário
descontente, ou um engano inocente causado por um funcionário
bem-intencionado que tem um nível impróprio
de acesso a um sistema crítico, o impacto causado por transgressão,
roubo, dano ou exclusão de dados pode ser considerável.
Ameaças internas podem incluir também o uso inadequado
do acesso à Internet
pelos funcionários, além de questões que podem
resultar no envio de materiais ofensivos via Internet pelos funcionários.
Um
estudo realizado recentemente pela Novell, Universidade de Stanford
e Universidade de Hong Kong oferece os seguintes exemplos de ameaças
internas: - Uma funcionária de um banco de investimentos, agora trabalhando para um
concorrente, foi capaz de acessar seu voice mail meses após sair do banco,
tendo acesso a todas as informações internas do banco.
- Um funcionário em uma empresa de software pôde criar uma conta de
acesso simplesmente telefonando para uma secretária eletrônica,
o que permitiu a ele editar e fazer o download do banco de dados da mala direta
de uma empresa.
- De acordo com os entrevistados da pesquisa, é comum o compartilhamento
de senhas entre usuários, até mesmo dos sistemas mais
críticos,
como aplicações de Planejamento de Recursos Empresariais
(Enterprise Resource Planning – ERP).
Começando do início
Você pode realmente se proteger de ameaças dentro do firewall?
Não
completamente. Mas você pode adotar padrões que diminuam
as razões
para as ameaças de funcionários. E controles apropriados
podem ser disponibilizados de forma que, se ocorrer um incidente,
você possa
agir o mais rápido possível.
1. Crie uma política de segurança eficiente. Embora
isso possa parecer uma atividade mais apropriada para empresas
maiores, as empresas de pequeno
porte devem considerar seriamente a criação de
uma política
de segurança. Use-a para descrever os ativos de informações
da empresa e todos os direitos de acesso a essas informações.
Certifique-se de que todos os usurários estejam informados
da política. Treine-os
sobre os riscos envolvidos ao permitir que outros tenham acesso às
suas contas e senhas. Alerte-os sobre os perigos da rede, através
da qual os intrusos buscam ganhar acesso não autorizado às
informações
de usuários desatentos para roubá-los. (Um e-mail
que parece vir de um amigo, acompanhado por um anexo executável
que contém um
vírus).
2. Certifique-se de que os funcionários
somente acessem os dados e sistemas que eles necessitam.
Isto pode parecer óbvio, mas não é raro
funcionários acessarem de 10 a 20 vezes mais recursos
dos que eles realmente precisam para fazer seu trabalho.
Caso
ache necessário, você pode restringir o acesso
implementando um software especializado em controle de acesso.
Ele pode ser utilizado para
limitar as atividades de um usuário associado a sistemas
ou arquivos específicos
e guardar registros das ações individuais dos
usuários
no computador.
3. Se prestadores de serviços externos
com "relações
confiáveis" solicitam acesso à sua rede,
certifique-se de que o acesso só seja designado para
os serviços específicos
requeridos. É comum que usuários precisem acessar
informações
de diferentes níveis de valor. Quando atribuir níveis
de acesso, assegure-se de que aquele nível de proteção
não
exponha recursos mais importantes.
Uma tática que algumas
empresas usam é fornecer aos funcionários
fixos e temporários contas de rede que tenham "datas
de encerramento" automáticas
após eles cessarem suas atividades, e que possam ser
prorrogadas, se necessário.
4. Estabeleça um
completo e documentado procedimento para gerenciar as rescisões
dos funcionários. De um ponto de vista de segurança,
o processo de permitir que as pessoas saiam pode ser caótico,
tanto para aqueles diretamente afetados quanto para aqueles
deixados para trás. Uma
política de segurança que especifica os passos
que devem ser adotados pode atenuar bastante a confusão.
Por
exemplo, uma boa política deve deixar claro como neutralizar
o acesso aos sistemas de informação de um funcionário
afetado. O estudo da Novell, Universidades de Stanford e
Hong Kong, citado acima, descobriu
que quase metade das empresas avaliada leva mais de dois
dias, e várias
delas mais do que duas semanas, para negar o acesso de funcionários
desligados à rede.
Certifique-se de que os controles
estejam configurados para negar o acesso no último
dia de qualquer funcionário, indiferente da razão
pela qual a pessoa tenha deixado a empresa.
5. Coloque em
prática. Manter-se a par das ameaças de segurança,
sejam elas internas ou externas, deve ser um trabalho permanente.
Assim que uma política de segurança começar
a existir, você precisa
de um modo para determinar se a política está sendo
seguida, e se as violações de segurança
devem ser avaliadas para assegurar que nenhum dos eventos
ocorra novamente. Um eficiente e significativo modo para
gerenciar a segurança vai além das estatísticas
de invasão
e mede o desempenho atual de segurança contra critérios
predeterminados.
Conclusão
Nunca é fácil mencionar o assunto das ameaças internas.
Em um mundo ideal, deveríamos confiar incondicionalmente em todos nossos
funcionários. A realidade, entretanto, é que trabalhamos em um
ambiente imperfeito, onde as ameaças podem surgir dentro de nossas próprias
paredes. Enquanto as políticas e os procedimentos são essenciais
para enfrentar esse problema, a vigilância e determinação
são necessárias para resolvê-lo.
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