Segurança e retorno do investimento
Não é tarefa fácil, mas cada vez mais empresas estão
procurando meios de calcular o Retorno do Investimento dos seus gastos com
segurança.
Todas as empresas assumem riscos se querem recompensas. Em parte, é disso
que trata o Retorno do Investimento (ROI). Em troca da quantia de dinheiro
gasta, você espera recuperar mais do que essa quantia de volta. Mas
como tratar investimentos cujo retorno não é facilmente mensurável
em dólares e centavos? Por exemplo, como calcular o ROI para segurança?
Este artigo examina as novas formas que as empresas estão utilizando
para calcular o ROI desse fundamental investimento.
Laranjas e bananas
O dilema que assombra empresas grandes e pequenas quando elas
se esforçam para espremer toda vantagem competitiva de cada dólar
gasto: onde está a prova quantificável de que o gasto da
quantia X irá prevenir a perda da quantia Y em razão de brechas
na segurança?
As análises tradicionais de custo-benefício não podem
ajudar muito aqui porque custos e benefícios precisam ser medidos
nos mesmos termos. É fácil no caso de alguns investimentos
que claramente aumentam a receita, mas não com segurança,
onde freqüentemente é difícil
expressar os benefícios em dólares. Para muitas empresas,
o benefício
dos investimentos em segurança muitas vezes se resume ao chamado
retorno “soft” – como
uma melhora na imagem da marca por se evitar a publicidade negativa associada
ao ser invadido por hackers – e outros similares que são difíceis
de quantificar. Talvez não seja surpresa que, na ausência
de números
concretos, os defensores de aumentos dos gastos em segurança algumas
vezes recorram ao medo, incerteza e dúvidas – ou MID – para
sustentar seu ponto.
Argumentando a favor do ROSI
Entretanto, no passado recente, um grupo de pesquisa vem crescendo apoiando
a proposição de que é possível calcular um
retorno tangível para o investimento em segurança (ou ROSI).
Grande parte dessa pesquisa vem dos campos de avaliação
de risco e gerenciamento de risco. Ela examina coisas como redução
dos custos relacionados à minimização
do risco e dos ganhos de produtividade associados com os investimentos
em segurança.
Embora a matemática e a economia que suporta esses estudos esteja
além
do escopo deste artigo, considere os seguintes desenvolvimentos:
- Pesquisadores
na Universidade de Idaho estimaram a relação custo-benefício
para o sistema de detecção de intrusão (IDS)
que eles construíram. A equipe definiu os custos para a
detecção
e resposta às várias intrusões e para uma
ampla gama de bens tangíveis e intangíveis. O objetivo
deles era provar que é melhor
o custo-benefício de se lidar com ataques usando a detecção
de intrusão do que qualquer outro método. Suas conclusões:
um IDS que custa 40 mil dólares e tem uma eficiência
de 85 por cento gera um ROSI de 45 mil dólares em uma rede
na qual se espera que se perca anualmente 100 mil dólares
como resultado de uma intrusão.
- Em outro estudo, pesquisadores
de Stanford, do MIT e da consultoria @Stake calcularam o valor
da segurança incorporada a vários
estágios
no processo de desenvolvimento de software. Usando uma combinação
de dados públicos e privados sobre o processo de desenvolvimento
de aplicações, a equipe construiu um modelo temporal.
Suas descobertas: o ROSI é de 21 por cento quando a segurança é incorporada
precocemente nas fases de planejamento e cai para apenas 12 por
cento quando incorporada na fase de testes. Os pesquisadores
também
descobriram que o custo de correção de quatro bugs
durante a fase de testes totalizou 24 mil dólares, mas
inflariam para 160 mil se fosse feito após
o software ter sido implementado.
- Em um terceiro estudo, os pesquisadores
criaram uma infra-estrutura de rede similar à usada por
empresas que conduzem transações
pela Internet. Medições do desempenho foram realizadas
para estabelecer uma taxa padrão da capacidade; então
medidas de segurança
foram aplicadas em etapas e novas medições foram
tomadas e comparadas com as medidas padrões. Os pesquisadores
descobriram que aplicar as medidas corretas de segurança
pode gerar ganhos de eficiência – ou
seja, um aumento da capacidade da rede – de mais de 3 por
cento.
Ninguém está dizendo que é fácil – Como
o exemplo acima mostra, calcular um ROSI tangível demanda
muita matemática – e
trabalho. Mas o ponto é que ele pode ser calculado. Pesquisas
estão
disponíveis para ajudá-lo a calcular o custo dos
incidentes de segurança para a sua empresa e a probabilidade
de um dado incidente ocorrer.
Por exemplo, a equipe da Universidade
de Idaho apresentou a seguinte fórmula
para o cálculo do ROSI: (R-E)+T = ALE, e R-ALE = ROSI
(onde R = o custo anual para recuperar-se de uma intrusão;
E = a economia gerada por se interromper uma intrusão;
T = o custo da ferramenta de detecção
de intrusão; e ALE = a Expectativa de Perda Anual).
Resultado:
A criação de um modelo econômico defensivo
para o ROSI por meio da análise de risco quantificado é possível.
O
quadro geral
O crescente cuidado dedicado ao ROSI indica que o orçamento
em segurança
vem sendo examinado como nunca foi. Ao mesmo tempo, a ameaça
de ataques cibernéticos continua a crescer dia-a-dia.
Razão mais do que suficiente
para "tornar a segurança parte do processo empresarial",
de acordo com Linda McCarthy, autora de “IT Security:
Risking the Corporation” (Segurança
em TI: Pondo em Risco a Empresa). Para apoiar esta declaração,
McCarthy cita duas ameaças dominantes à segurança
de computadores corporativos: a disseminação
das ameaças combinadas de
rápida disseminação (ou seja, os códigos
maliciosos) e a insuficiência de fundos alocados por
administradores para iniciativas em segurança. Ela
também sustenta um ponto de vista essencial
a qualquer discussão atual sobre segurança
e ROI: as empresas que negligentemente permitem que a segurança
seja comprometida podem ser processadas pelas vítimas
dos crimes cometidos por outros.
A alegação
seguinte de McCarthy, de que a segurança bem-sucedida
da informação precisa partir do topo de uma
organização,
enfatiza outro ponto sobre a crescente importância
do ROSI: é um
modo de especialistas de segurança e administradores
de empresa falarem a mesma língua.
Conclusão
Provar o valor da segurança em números concretos e claros nunca
será fácil. Leva-se tempo, precisa-se de trabalho de campo e
disposição para coletar uma verdadeira armada de dados. O ROSI
está surgindo como um modo preeminente para suportar um sólido
argumento corporativo para os gastos em segurança – especialmente
no frio clima econômico de hoje em dia. As empresas que ao menos não
começarem a percorrer esse caminho podem acabar colocando-se cada vez
mais em risco. |